Moraes cobra resposta de Bolsonaro sobre vídeo com IA em 48h
Ministro do STF exige esclarecimentos sobre uso da imagem de Bolsonaro em vídeo gerado por IA, crucial para sua situação legal.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão nesta terça-feira, dia 28, que obriga a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro a se pronunciar em até 48 horas sobre a utilização de sua imagem e voz em um vídeo gerado por inteligência artificial (IA). Esse vídeo foi exibido durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), que ocorreu no último sábado, dia 25.
Na sua decisão, Moraes destaca a necessidade de esclarecer se Bolsonaro deu autorização para a criação e divulgação do vídeo, que simulava um discurso de apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República. Essa resposta é crucial para averiguar se houve uma nova violação das condições impostas ao ex-presidente durante sua prisão domiciliar humanitária. Se essa possibilidade se confirmar, Bolsonaro pode perder o benefício concedido a ele.
Por outro lado, caso ele não tenha autorizado o uso de sua imagem no vídeo, Moraes alerta para um possível desrespeito grave à legislação eleitoral por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, o que poderia levar à inelegibilidade. O ministro ressalta que, se não houve consentimento de Jair Messias Bolsonaro para o uso de sua imagem e voz em declarações político-eleitorais, isso não apenas configuraria um desrespeito à ordem judicial por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, mas também poderia caracterizar a chamada "deep fake". Essa prática é expressamente proibida pela legislação eleitoral, pois envolve a criação ou divulgação de conteúdo sintético que associa a imagem, a voz ou as manifestações de uma pessoa a um candidato, partido ou causa política, sem a devida autorização.
Além disso, Moraes lembra que Bolsonaro está cumprindo pena em prisão domiciliar humanitária, com seus direitos políticos suspensos devido a uma condenação criminal definitiva por tentativa de golpe de Estado, e que ele está proibido de fazer manifestações político-eleitorais, mesmo que por intermédio de terceiros.
