
Tribunais se Manifestam ao STF sobre Pagamentos Acima do Teto
Tribunais de Justiça têm até quinta-feira para responder ao STF sobre pagamentos superiores ao teto constitucional, esclarecendo natureza das verbas.
A ministra Cármen Lúcia entre os ministros Gilmar Mendes (no alto), Luiz Fux e Edson Fachin (Nelson Jr/SCO/STF/09-02-2023)
Os sete Tribunais de Justiça convocados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) têm até esta quinta-feira para se manifestar sobre os questionamentos levantados pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Esses questionamentos dizem respeito aos pagamentos a magistrados que ultrapassaram o teto constitucional, mesmo após a decisão do STF que buscou limitar os chamados “penduricalhos”.
A expectativa é que as respostas tentem mostrar que os valores divulgados são, em grande parte, referentes a verbas de natureza indenizatória e a pagamentos excepcionais que foram autorizados pela própria jurisprudência da Corte. Os quatro ministros, que atuam como relatores em diferentes processos sobre a aplicação dessa decisão acerca dos supersalários, emitiram despachos bastante semelhantes.
Neles, pedem que os presidentes dos Tribunais de Justiça do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia apresentem, em um prazo de 48 horas, informações detalhadas sobre todas as verbas remuneratórias e indenizatórias pagas entre abril e julho deste ano. Além disso, eles solicitam as folhas de pagamento completas desse período.
Dentro do STF, a percepção é de que os tribunais devem argumentar que a decisão da Corte não proibiu o pagamento de todas as verbas indenizatórias, mas, sim, estabeleceu critérios mais rigorosos para a sua concessão. Assim, a tendência é que as cortes sustentem que uma parte significativa dos valores se refere a pagamentos acumulados, diferenças reconhecidas tanto administrativa quanto judicialmente, e outras parcelas que, conforme a interpretação dos tribunais, não se enquadram no teto remuneratório.
Após a entrega das respostas, os relatores farão uma análise cuidadosa para verificar se realmente houve uma violação ao julgamento do Supremo ou se os pagamentos se ajustam às situações excepcionais permitidas pela própria decisão. Na prática, esse processo pode influenciar significativamente a forma como as decisões sobre remuneração de magistrados são interpretadas e aplicadas no futuro.