Sindicatos pressionam Senado por votação da PEC 6x1 antes das eleições
Centrais sindicais mobilizam ações para garantir votação da PEC 221 de 2019 antes do primeiro turno das eleições de 2026.

As principais centrais sindicais do Brasil estão se mobilizando para pressionar os senadores em cada estado a antecipar a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que busca acabar com a escala de trabalho de seis dias seguidos por um dia de descanso e reduzir a carga horária para 40 horas semanais.
O movimento, que se inicia neste fim de semana, tem como objetivo garantir que a PEC seja votada antes do primeiro turno das eleições de 2026.
Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acredita que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está sendo pressionado por empresários e senadores da oposição para que a votação da PEC ocorra somente após as eleições. Segundo ele, essa manobra visa permitir que os parlamentares 'traiam o povo'.
'Os empresários querem que a votação seja postergada porque sabem que, assim, o senador vai trair a população. Ele promete votar em favor do povo, mas no dia seguinte age de forma contrária. É esse comportamento que vamos expor', declarou à Agência Brasil.
Nobre tem confiança de que a votação da PEC pode ser antecipada se houver uma pressão significativa da população. 'Se os senadores forem cobrados em seus estados, eles sentirão a necessidade de agir. Eles vão ter que prestar contas nas ruas. Vamos mobilizar o povo para exigir isso. Vão pedir voto? Então, onde está a 6x1 primeiro?', questionou.
Nesta sexta-feira (4), a agenda de ações em apoio à PEC 221 de 2019 foi estabelecida durante uma reunião do Fórum das Centrais Sindicais, que agrega as seis principais entidades sindicais do país. Essa reunião foi convocada após Alcolumbre anunciar que a votação da proposta seria adiada para depois das eleições.
Os líderes sindicais também decidiram intensificar a distribuição de panfletos em centros comerciais, onde a escala 6x1 é mais comum, aumentar a mobilização nas redes sociais e planejar novos protestos nas ruas.
Além disso, as centrais pretendem solicitar uma audiência com o senador Alcolumbre para discutir a importância de votar a PEC antes do primeiro turno e para denunciar os parlamentares que se opõem à redução da jornada de trabalho.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, manifestou à Agência Brasil que Alcolumbre 'virou as costas' para os trabalhadores. 'O adiamento da votação foi uma surpresa negativa para nós. Mais de 70% da população brasileira apoia a PEC. Vejo esse atraso com grande preocupação, pois se a votação ficar para depois da eleição, poderemos voltar à estaca zero', comentou.
Inicialmente, havia uma expectativa de que a PEC que propõe o fim da escala 6x1 fosse levada ao plenário logo após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na última quarta-feira (2). A reportagem buscou um posicionamento da assessoria de Alcolumbre sobre o assunto, mas não obteve retorno.
Paulo de Oliveira, diretor da executiva da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), informou que os sindicatos acreditavam que a votação da PEC poderia ocorrer ainda nesta semana. 'Acreditamos que isso é desleal com os trabalhadores que irão votar nas eleições. Como o primeiro turno já passou, parece que não há mais preocupação com os votos e, assim, podem atender a interesses que não refletem a vontade da grande massa da população', concluiu.