Regulação das Plataformas Digitais: Um Passo Necessário no Brasil
Especialistas destacam a urgência de regulamentar plataformas digitais e o uso de IA para garantir justiça e transparência no compartilhamento de conteúdos.

O Brasil está prestes a dar um passo importante na regulação de plataformas digitais e na supervisão do compartilhamento de conteúdos gerados por Inteligência Artificial. Essa é a posição de Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), e Larissa Santiago, cofundadora da plataforma de comunicação independente Blogueiras Negras.
No webinário "Tecnologias, IA e Eleições", realizado em 15 de setembro de 2026, promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras, Fernanda destacou como funcionam os algoritmos de recomendação, que influenciam diretamente quais conteúdos os usuários veem nas plataformas.
“É fundamental que haja uma regulação mínima que garanta que as pessoas possam escolher não receber conteúdos padronizados. Também é essencial que os mecanismos de recomendação não apresentem vieses discriminatórios”, afirmou Fernanda.
Em relação à Inteligência Artificial, as pesquisadoras concordaram que seu desenvolvimento não está alinhado com as necessidades da sociedade. Além disso, destacaram que as grandes empresas de tecnologia acabam monopolizando as discussões sobre o tema.
Larissa Santiago, por sua vez, comentou que, se comparado a outros países, o Brasil possui um sistema regulatório razoável para a IA, mas enfatizou a necessidade de intensificar a fiscalização e, acima de tudo, promover a educação midiática.
“As pessoas muitas vezes não conseguem distinguir entre uma pessoa real e uma criada pela IA. Precisamos educar melhor a população sobre isso”, disse Larissa.
Ela também fez referência ao impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, lembrando como a circulação de imagens e notícias distorcidas foi impactante nesse processo. Para contextualizar, esse impeachment ocorreu em 2016, antes da popularização das ferramentas de inteligência artificial que conhecemos hoje. Larissa comentou que a tecnologia de IA tem potencializado a violência política, especialmente em questões de gênero e raça, através da desinformação e de deepfakes. “Vimos isso claramente com a presidenta Dilma. As imagens e as notícias distorcidas contribuíram para o que se tornou o golpe”, concluiu.
