Queijo: O Empecilho nas Negociações EUA-México em 2026
Entenda como a disputa sobre nomes de queijos afeta acordos comerciais entre EUA e México, com implicações bilionárias e diplomáticas.

Data de publicação original: 30/08/2026, 14:00
CIDADE DO MÉXICO, 28 de agosto (Reuters) – O que realmente significa o nome de um queijo? Essa pergunta se tornou um verdadeiro ponto de atrito nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e o México. De acordo com duas fontes do governo mexicano, que pediram para não serem identificadas, essa “diplomacia do queijo” se mostra bastante delicada.
Os EUA estão se opondo ao novo acordo comercial do México com a União Europeia, que estabelece proteções especiais para uma série de produtos europeus, cujos nomes estão associados a regiões específicas. Exemplos disso incluem o Parmigiano Reggiano, o feta e o manchego. Além disso, esse acordo confere à União Europeia o direito de buscar reparação judicial em caso de infrações.
Washington argumenta que o pacto, assinado em maio, poderia barrar futuros produtores norte-americanos de comercializar queijos no México utilizando nomes como parmesão e feta. Há muito tempo, os EUA defendem que esses termos são genéricos. Em contrapartida, a UE sustenta que “parmesão” deve ser reservado ao Parmigiano Reggiano, originário do norte da Itália, enquanto o queijo feta é exclusivo de regiões específicas da Grécia.
“O que o México fez está absolutamente errado”, declarou Jaime Castaneda, vice-presidente executivo do Conselho de Exportação de Laticínios dos EUA. “O governo mexicano precisa assegurar, sem sombra de dúvida, que tanto os Estados Unidos quanto os produtores mexicanos de queijos com nomes comuns possam continuar a operar no mercado.”
Atualmente, os EUA e o México atravessam negociações bilaterais complicadas, em busca de um acordo comercial provisório ainda este ano. Paralelamente, discussões estão em curso para renovar o Acordo EUA-México-Canadá, que é fundamental para a economia mexicana.
Essas negociações de alto risco conferem aos EUA um poder de barganha significativo, permitindo que defendam sua posição em um mercado que já movimenta bilhões de dólares para os exportadores de queijo americanos. Essa situação, sem dúvida, vem trazendo dores de cabeça para as autoridades mexicanas.
Embora o tratado entre o México e a União Europeia já tenha sido assinado, o México ainda não completou os trâmites necessários para que o pacto entre em vigor, enquanto a União Europeia já o fez, conforme informou um porta-voz da Comissão Europeia.
Um representante do Ministério da Economia do México comentou que o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentares. Por outro lado, a Comissão Europeia avisou à Reuters que não há como alterar os termos do acordo e que já havia “tomado nota das ações dos EUA” em relação às proteções para os queijos europeus.
O Ministério da Economia do México e o Escritório do Representante Comercial dos EUA ainda não responderam aos pedidos de comentários. Contudo, a agência norte-americana já havia se manifestado anteriormente sobre o sistema de proteção de produtos.
