
PT Envia Relatório do INSS à PF e STF Após Impasse
Texto amplia lista de investigados e mira aliados de Bolsonaro após impasse na comissão
Lula Marques/Agência Brasil.
A bancada do PT decidiu enviar um relatório próprio sobre o esquema de desvios no INSS, especialmente após a CPMI encerrar seus trabalhos sem um consenso sobre o parecer final. Em um comunicado de 28 de março de 2026, o partido anunciou que o documento seria encaminhado à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal CPMI do INSS: Indiciamento de 216 Pessoas por Fraude Federal.
A comissão parlamentar que investigou fraudes relacionadas a aposentadorias finalizou suas atividades sem aprovar um relatório oficial. O parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), enfrentou resistência da base governista, enquanto um texto alternativo do PT não foi votado. Sob a coordenação do deputado Rogério Correia (PT-MG), o relatório paralelo foi elaborado para ampliar o escopo das investigações.
Este documento menciona cerca de 201 nomes, sugerindo o indiciamento imediato de 130 pessoas e recomenda um aprofundamento nas apurações de outros 71 casos. Entre os mencionados está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontado como responsável pela articulação do esquema, além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alvo de suspeitas de lavagem de dinheiro. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que Bolsonaro seria o “chefe do esquema criminoso que roubou bilhões de reais dos aposentados”.
O PT argumenta que as irregularidades começaram em 2017 e se intensificaram durante o governo Bolsonaro. O partido afirma ter reunido documentos que sustentam essa linha de investigação. No comunicado, houve críticas à condução da comissão, destacando que o presidente, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ignorou o regimento do Congresso.
Por outro lado, o parecer de Gaspar solicitou o indiciamento de 21 investigados, incluindo um pedido de prisão preventiva, com acusações de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Durante a votação, a comissão rejeitou, por 19 votos a 12, o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), evidenciando a divisão interna no colegiado.
Com o envio do relatório paralelo, o PT busca dar continuidade às investigações fora do Congresso, transferindo a disputa para órgãos de investigação e para o Judiciário.
