Protestos em Portugal: Moradia e Custo de Vida em Foco

Movimentos sociais e sindicatos se mobilizam em diversas cidades para exigir melhores condições de vida e habitação em meio à crise atual.

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Protestos em Portugal: Moradia e Custo de Vida em Foco
Reprodução Redes Sociais

Vários movimentos em defesa do direito à habitação se unirão neste sábado aos sindicatos afiliados à CGTP, que convocou manifestações sob o lema "Mais salário, melhores pensões e serviços públicos. Contra o aumento do custo de vida. Novo rumo para Portugal!" As concentrações estão programadas para ocorrer no Porto, em Coimbra e em Lisboa.

O agravamento da crise que afeta grande parte da Europa, especialmente no que diz respeito ao aumento do custo de vida, dos combustíveis e, principalmente, à escassez de habitação nos grandes centros urbanos, é um dos principais motivos que levam milhares de pessoas a protestar. “Diante do aumento do custo de vida, da habitação e dos combustíveis, um simples cabaz está a um preço exorbitante”, afirmou um porta-voz da CGTP na manhã de sábado, durante uma entrevista à SICN em Coimbra.

Em uma mensagem divulgada no portal da Presidência, António José Seguro ressaltou que “numa sociedade democrática, ninguém deve viver sem condições para satisfazer as suas necessidades essenciais, sem acesso à habitação, à saúde, à educação ou a um trabalho digno.” Ele acrescentou que a pobreza “é também uma limitação à liberdade, à dignidade e às oportunidades de cada pessoa.”

As concentrações da CGTP no Porto e em Coimbra estão marcadas para a parte da manhã. A marcha na Invicta teve início na Praça da Batalha por volta das 10h30 e se encerrará na Praça D. João I, um local que tem sido palco de protestos contra a crise habitacional ao longo da semana.

Lá, os manifestantes enfrentaram uma ação policial considerada “desproporcional”, mas isso não desanimou quem está nas ruas. “Continuamos com a nossa assembleia popular, com o apoio do povo, apartidária. As pessoas vêm de diferentes grupos, mas não estamos institucionalmente ligados a nenhum deles. Este clamor é o resultado do abuso de autoridade e um grito de ‘basta à crise’”, comentou Pedro Manuel, um dos organizadores da Acampada no Porto.

José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, também se manifestou, dizendo: “Há quem queira nos desviar para discutir outros assuntos, mas o que as pessoas realmente exigem é o direito à habitação para todos.” Ele enfatizou que as preocupações vão além de discursos: “Estamos falando de quem enfrenta arrendamentos cada vez mais altos e hipotecas que não cabem mais no orçamento familiar. É isso que estamos discutindo, e é por isso que as pessoas têm protestado, sempre de forma pacífica.”

Em Coimbra, a concentração teve início em frente ao Portugal dos Pequenitos e deverá terminar na Praça 8 de Maio, em frente à Câmara Municipal. Já em Lisboa, espera-se que milhares de pessoas participem de uma marcha marcada para as 14h30, começando no Cais do Sodré e terminando no Rossio.

Contudo, o presidente da Câmara de Lisboa alertou que, apesar de considerar a causa justa, os protestos devem acontecer “dentro da lei”. Em declarações à agência Lusa, Tiago Oliveira destacou que as manifestações são uma resposta ao “brutal aumento” dos preços da habitação e do custo de vida.

Atualizado há 1 hora

Durante a tarde deste sábado, estão também marcadas assembleias populares pela habitação no centro das cidades de Coimbra, Aveiro e Braga. Estes protestos começaram há cerca de duas semanas no Porto, com um grupo de manifestantes a dormir em tendas durante a noite na Praça D. João I. Na noite de 14 para 15 de outubro, a Polícia de Segurança Pública (PSP) interveio para desmontar o acampamento. Uma intervenção que resultou numa carga policial que, segundo os manifestantes, fez mais de 30 feridos. A atuação da polícia do Porto parece ter sido o gatilho para mais protestos. Também em Lisboa, os manifestantes organizaram uma “acampada”. Na noite de terça-feira, a polícia fez uma nova operação para retirar as tendas. Em Lisboa, foram detidas 55 pessoas. Na noite seguinte, os manifestantes decidiram passar a noite ao relento. Os protestos trouxeram a questão da habitação para o centro do debate político. Durante a semana, a Assembleia da República organizou um debate de urgência. O país regista o maior aumento do preço da habitação na União Europeia, mais 16,5% no segundo trimestre deste ano.

Atualizado há 7 horas

Durante a tarde deste sábado, assembleias populares pela habitação ocorreram também no centro das cidades de Aveiro e Braga. Em Lisboa, a manifestação reuniu cerca de 25 mil pessoas, começando no Marquês de Pombal e passando pela Avenida da Liberdade até chegar ao Rossio, onde algumas tendas foram montadas como parte do protesto. No Porto, os manifestantes votaram a favor de montar tendas na Praça D. João I para passar a noite em protesto, enquanto os moradores foram incentivados a exibir panos pretos em solidariedade. Nas redes sociais, movimentos como a Acampada de Lisboa e do Porto exigem a reversão da lei do arrendamento e o fim dos despejos sem alternativas habitacionais, entre outras medidas. Em Aveiro, os manifestantes debateram um caderno reivindicativo para a habitação na Praça da República.

Atualizado há 13 horas

Durante a tarde deste sábado, estão também marcadas assembleias populares pela habitação no centro das cidades de Coimbra, Aveiro e Braga. Em Coimbra, cerca de 200 pessoas protestaram na Praça 8 de Maio e, em Aveiro, os participantes juntaram-se na Praça da República para debater um caderno reivindicativo para a habitação. Em Faro, juntaram-se cerca de uma centena de manifestantes. Os movimentos Acampada de Lisboa e do Porto têm pedido medidas como a reversão da lei do arrendamento, fim dos despejos para pessoas sem alternativa habitacional, um travão à compra de imóveis por fundos imobiliários, a recuperação de prédios devolutos e um teto para as rendas. Renato Santiago, porta-voz do movimento Não Dá Mais P’ra Viver Assim – Aveiro, comentou que "Estas semanas demonstraram que as pessoas estão fartas desta inércia, sobretudo no tema da habitação, que foi central em várias campanhas eleitorais, legislativas e autárquicas."

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