Polícia Federal Investiga Desvios em Emendas do Filme 'Dark Horse'
Operação da PF busca esclarecer possíveis irregularidades em emendas parlamentares relacionadas ao filme 'Dark Horse', com foco em Mario Frias e Karina Gama.
A Polícia Federal está em ação nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, realizando buscas que visam apurar possíveis desvios de emendas parlamentares associadas ao filme 'Dark Horse'. O deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama são os principais alvos dessa investigação, que se desdobra em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro Flávio Dino lidera a investigação sobre as emendas, enquanto o ministro André Mendonça analisa os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na quarta-feira, 9 de setembro, o STF homologou a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, que revelou repasses que totalizam 12,3 milhões de dólares para a produção do filme.
A operação, que executa 49 mandados de busca e apreensão, visa esclarecer o financiamento do filme que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de Mario Frias e Karina Gama, duas entidades de propriedade da produtora, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), também estão sob investigação.
O inquérito, que anteriormente tramitava em São Paulo, foi transferido para o STF e está sob a relatoria de Flávio Dino. É importante destacar que, nesta operação, não há mandados de prisão, mas sim mandados de busca e apreensão.
Batizada de 'Make Up', a operação foi deflagrada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Segundo a PF, uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados teria redirecionado recursos destinados a uma organização da sociedade civil para empresas contratadas irregularmente, sem comprovação de serviços prestados.
As investigações revelaram movimentações financeiras que somam centenas de milhões de reais entre as empresas envolvidas no esquema. A PF também afirma que as tentativas de encobrir os desvios continuaram até julho deste ano.
Os crimes apurados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. Uma auditoria da CGU levantou suspeitas sobre um desvio de R$ 2 milhões, indicado por Frias para entidades ligadas a Karina, apontando gastos não comprovados.
Os envolvidos foram contatados pela reportagem, mas ainda não se manifestaram. Além disso, duas investigações adicionais estão em curso sob a supervisão de ministros do STF sobre o filme 'Dark Horse', com foco no uso irregular de emendas parlamentares e no destino do dinheiro público direcionado a entidades e empresas ligadas à produtora.
Atualizado há 5 horas
Segundo a decisão de Flávio Dino, cujo sigilo foi retirado pelo ministro do STF, um dos projetos financiados por essas emendas de Frias não foi devidamente executado. Trata-se da iniciativa Jovem Empreendedor, no valor de R$ 1 milhão, que previa capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes, na região de Pirassununga, interior de São Paulo, mas a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que essas metas não foram cumpridas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) posteriormente rejeitou a prestação de contas por frustração do objeto pactuado.
A investigação também encontrou falhas na execução do projeto Lutando pela Vida, financiado por outra emenda de Mario Frias, também no valor de R$ 1 milhão. Embora a CGU tenha identificado indícios de realização de atividades esportivas, o órgão considerou insuficiente a comprovação da execução integral do projeto, que previa atender 500 beneficiários, além de apontar problemas na comprovação da entrega de materiais e da prestação de serviços pagos.
A investigação da PF identificou uma cadeia de transferências entre empresas ligadas ao instituto e a produtora do filme, mas não conclui, até o momento, que os valores transferidos à produtora tenham origem direta nas emendas. De acordo com a apuração, no início de 2025, um total de R$ 700 mil de recursos recebidos pelo ICB a partir dessas emendas de Frias foi repassado a empresas ligadas ao grupo de Heric Dias, um dos empresários alvos da operação desta quinta. Foram R$ 400 mil à Dinâmica Editora e R$ 300 mil ao Instituto Super Poder Educacional, no âmbito do projeto Jovem Empreendedor.
Posteriormente, no fim de 2025, no contexto das filmagens de Dark Horse, outra empresa do mesmo grupo de Heric Dias, a NTT Brasil, transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF investiga se os recursos públicos circularam por essa cadeia até chegar à produção do filme.
A investigação identificou uma transferência de R$ 645,4 mil feita por Mario Frias, com recursos de sua própria conta, à Go Up Entertainment durante o período de produção do filme. A PF questionou a compatibilidade dos repasses com os rendimentos declarados pelo deputado. O salário de parlamentar é de R$ 44.008,52 mensais.
Ao longo de novembro do ano passado, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões. Parte dessas despesas ocorreu durante as filmagens, com R$ 906,8 mil para o Hotel Unique, R$ 653,2 mil para alimentação, além de pagamentos a produtoras audiovisuais. As informações constam na decisão de 150 páginas que teve o sigilo levantado por Flávio Dino.
Atualizado há 2 horas
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou haver indícios de um papel de liderança do deputado federal Mário Frias no esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. Dino destacou que, no âmbito da investigação, Frias ocuparia um papel central na suposta arquitetura criminosa. Além disso, Dino revelou uma ligação entre o desvio de dinheiro de emendas parlamentares e organizações vinculadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o ministro, a investigação sugere um esquema sofisticado de destinação e desvio de recursos públicos, que inclui vínculos com o PCC.
Atualizado há 8 horas
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou haver indícios de um papel de liderança do deputado federal Mário Frias no esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. Dino destacou que, no cenário investigativo, Frias teria um papel central na suposta arquitetura criminosa para o financiamento do filme Dark Horse. Em seu despacho, Dino também apontou uma possível ligação entre o desvio de dinheiro de emendas parlamentares e organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo Dino, a investigação sugere um esquema sofisticado de desvio de recursos públicos com vínculos com o PCC.
Atualizado há 14 horas
No domingo, 13 de setembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou haver indícios de que o deputado federal Mario Frias teria um papel de liderança no esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. Dino destacou que, no curso da investigação, se fortalece a hipótese de uma conexão entre o desvio de recursos públicos e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, a prefeitura de São Paulo declarou que não há irregularidades nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil, destacando que o Programa WiFi Livre está em pleno funcionamento na cidade.
