PF Revela Vantagens Indevidas Recebidas por Cláudio Castro
Relatório da PF expõe esquema de corrupção envolvendo o ex-governador e a refinaria Refit, com detalhes sobre luxos e irregularidades.
A Polícia Federal (PF) revelou em um relatório que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido vantagens indevidas em troca da atuação de órgãos estaduais em benefício da refinaria Refit, anteriormente conhecida como Refinaria de Manguinhos. O ex-chefe do Executivo fluminense refuta essas acusações.
Essas informações vieram à tona em um documento da segunda fase da Operação Sem Refino, cujo sigilo foi levantado na última quinta-feira, dia 3, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o relatório, entre as vantagens indevidas recebidas por Castro estão listadas diversas irregularidades. O ministro Moraes utilizou esse documento como base para autorizar 16 mandados de busca e apreensão solicitados pela PF, com o intuito de aprofundar as investigações.
Operação Sem Refino: Contexto e Objetivos
A Operação Sem Refino 2 foi iniciada em 14 de agosto, visando investigar fraudes na concessão de licenças ambientais para a refinaria. A PF aponta que essas licenças podem ter sido concedidas "à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes", além de envolver lavagem de dinheiro associada a um esquema criminoso.
As investigações têm como foco a atuação de grupos criminosos organizados no estado e suas ligações com agentes públicos, como foi destacado em uma nota pela corporação.
Conforme o relatório, o esquema criminoso englobava a lavagem de dinheiro e a ocultação de bens, com registros de propriedades de luxo em nome de "laranjas". Esse mecanismo tinha como objetivo beneficiar e cobrir despesas pessoais de Castro. Em troca, ele teria favorecido os interesses do empresário Ricardo Magro, que é apontado como o líder da organização criminosa responsável por corromper agentes do estado.
Contatos e Lavagem de Dinheiro
Mensagens extraídas de celulares apreendidos durante a operação indicam que Castro mantinha contato direto com os responsáveis pelas licenças ambientais para acelerar a liberação de empreendimentos e prejudicar concorrentes de Magro.
Moraes já determinou a prisão preventiva de Magro, mas o empresário está foragido e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
O relatório policial ainda menciona que Castro encomendou uma degustação de caviares de diferentes gramaturas enquanto estava hospedado no Hotel Emiliano, um luxuoso estabelecimento de São Paulo. O custo dessa degustação foi de R$ 10,5 mil, mas, curiosamente, não foi pago pelo ex-governador; o pagamento ficou a cargo da empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, de propriedade do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos.
Conhecido como “Pipo”, o advogado é visto pelos investigadores como o principal responsável pela lavagem e ocultação de patrimônio do grupo vinculado à Refit.
Além disso, a PF afirma que Castro atuava como proprietário de uma casa em Petrópolis, que está registrada no nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda. Ele teria sido o responsável por ditar a rotina dos empregados nessa propriedade e, segundo informações, teria solicitado a construção de uma adega personalizada.
O uso da mansão seria uma forma de compensação, em troca do favorecimento da empresa Enge Prat Engenharia, cujo proprietário, Luiz Fernando Gomes, firmou contratos na ordem de R$ 355 mil.
