PF e CGU Revelam Fraudes no INSS em Nova Fase da Operação
Investigação da Operação Sem Desconto apura fraudes milionárias no INSS, com foco em grupos em Brasília, São Paulo e Garanhuns.
A nova fase da Operação Sem Desconto, lançada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, aprofunda a investigação sobre a atuação de diversos núcleos regionais envolvidos em fraudes relacionadas a aposentadorias e pensões. Os alvos dessa ação estão espalhados por Brasília, São Paulo e Garanhuns, em Pernambuco, com o objetivo claro de evitar que os investigados consigam se desfazer de seus bens antes de a investigação ser Operação Sem Desconto: PF e CGU investigam fraudes em apo... concluída.
Durante o trabalho investigativo, as forças de segurança encontraram indícios de que os alvos estavam realizando vendas rápidas de imóveis e bens de luxo a preços muito abaixo do mercado. As investigações da PF, em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU), revelaram um esquema criminoso que se dedicou a realizar descontos irregulares nos valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, abrangendo o período de 2019 a 2024. Os desvios podem alcançar a impressionante quantia de R$ 6,3 bilhões.
Cada núcleo da operação investiga grupos e suspeitos distintos. Em Brasília, por exemplo, duas entidades — a UNIBAP e a ABENPREV — estão sob suspeita de terem realizado descontos diretamente nos benefícios previdenciários. Esses descontos teriam ocorrido após a assinatura de acordos de cooperação com o INSS, nos anos de 2021 e 2023. Nomes como Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho surgem nas apurações, sendo apontados como figuras essenciais na administração das associações e na articulação do esquema.
Além disso, outros investigados, como Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, estariam atuando como operadores e intermediários dentro dessa estrutura financeira e operacional.
Em São Paulo, a atenção se volta para um grupo conhecido como “Golden Boys”, que envolve entidades como Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, AASAP e ANDAPP. Entre os nomes sob investigação estão Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, todos responsáveis pela estrutura e gestão dessas associações.
É importante ressaltar que alguns dos investigados já estão respondendo a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Em Garanhuns, a investigação foca em servidores e ex-servidores do INSS, com alvos principais como Rogério Soares de Souza e Everaldo Felício de Macedo Junior. De acordo com as apurações, Rogério teria vínculos com a ABAPEN, que, segundo informações, recebeu cerca de R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024, com pelo menos R$ 24,7 milhões destinados a empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo, conhecido como "Careca do INSS".
Essa operação busca não apenas desmantelar fraudes, mas também garantir que a justiça seja feita, resguardando os direitos daqueles que realmente dependem do sistema previdenciário.
Atualizado há menos de 1 hora
Em nota, a corporação informou que estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, além de outras medidas constritivas expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nesta fase, a ação tem como finalidade aprofundar as investigações que visam esclarecer a prática de diversos crimes contra a administração pública, tais como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e de dilapidação patrimonial”, destacou a PF.
