Movimentações Financeiras de Flávio Bolsonaro Levantam Suspeitas

Relatório do Coaf revela transações financeiras de Flávio Bolsonaro que não condizem com sua renda, levantando questões sobre sua origem e legalidade.

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Movimentações Financeiras de Flávio Bolsonaro Levantam Suspeitas
Reprodução Redes Sociais

Por Valor — São Paulo

24/10/2026 12h31 Atualizado 24/10/2026 12h31

Recentemente, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicaram que o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez movimentações bancárias que não parecem se alinhar com a renda que ele declarou.

Essa informação foi destacada em uma reportagem de O Globo, publicada neste sábado (24). O material faz parte de uma investigação da Polícia Federal (PF), que examina a suposta conexão entre o parlamentar e o advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a transações em plataformas de apostas.

De acordo com o Coaf, Flávio movimentou impressionantes R$ 1,3 milhão entre janeiro e março de 2024, um valor que, segundo eles, carece de explicações a respeito de sua capacidade financeira.

Deste montante, cerca de R$ 660 mil foram registrados como créditos, enquanto R$ 649 mil corresponderam a débitos. O órgão, que está associado ao Banco Central, observou que as operações realizadas pelo senador durante esse intervalo superaram em média 7,19 vezes o que seria esperado com base em sua renda informada.

Embora os relatórios do Coaf não provem, por si só, a ocorrência de crimes, eles podem servir como um ponto de partida para investigações sobre possíveis irregularidades.

A investigação revela que, em março de 2024, o candidato à Presidência recebeu cerca de R$ 520 mil do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados.

Esse valor foi utilizado para quitar antecipadamente um empréstimo imobiliário que ele havia contraído em 2021 junto ao Banco de Brasília (BRB), destinado à compra de uma mansão avaliada em R$ 5,97 milhões na capital federal. O Coaf aponta que existem dúvidas sobre a origem desse montante, já que ele foi direcionado para a quitação antecipada de um financiamento.

O contrato original estipulava que o financiamento seria quitado em 30 anos, mas a dívida foi liquidada em cerca de três anos, através de seis pagamentos extraordinários que variaram entre R$ 198 mil e R$ 997 mil. Um desses pagamentos, no valor de aproximadamente R$ 520 mil, ocorreu em março de 2024 e correspondeu ao valor recebido do escritório de advocacia.

Conforme reportado por O Globo, os advogados do Gavioli e Viola estiveram envolvidos em dois processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) junto com Flávio Bolsonaro.

Em um desses casos, que diz respeito a uma disputa entre empresas do setor gráfico, o senador se juntou à equipe de defesa em junho de 2024. Contudo, em agosto, a Quarta Turma do tribunal decidiu, por unanimidade, não aceitar o recurso apresentado pelos advogados.

Além disso, Flávio também foi um dos defensores de um casal relacionado ao caso conhecido como o Faraó dos Bitcoins, que investiga possíveis fraudes financeiras envolvendo criptomoedas.

Ele figura como parte da equipe de defesa do casal desde abril de 2025, quando um recurso foi apresentado ao STJ. Na ação, Flávio e os advogados pediram o trancamento da ação penal, mas esse pedido foi negado pelo ministro relator do caso em maio daquele ano.

• Ao ser contatado por O Globo, o advogado Bruno Gavioli Lopes, sócio do escritório, não se manifestou.

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