Lulinha e Careca do INSS: Viagem a Portugal em Foco
Marco Aurélio de Carvalho afirma que, apesar da viagem em 2024, o filho do presidente Lula não fechou negócio com o lobista investigado pela PF por desvios em aposentadorias.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/M/x/TwYjpDSrWtLSd3MkoAEw/lulinha.webp)
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, consultor jurídico de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, fez uma declaração importante nesta segunda-feira, 16 de março de 2026. Ele confirmou que o filho do presidente viajou para Portugal em 2024, acompanhado de um dos principais investigados no esquema de fraudes do INSS. Este reconhecimento marca a primeira vez que a defesa de Lulinha admite essa conexão com o Careca do INSS, que está detido desde setembro do ano passado sob suspeita de desvio de aposentadorias.
Contudo, Carvalho enfatiza que Lulinha não participou das fraudes, não tinha conhecimento das irregularidades e, de modo algum, recebeu dinheiro desviado das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações sobre essas irregularidades estão sendo conduzidas pela Polícia Federal, que lançou a Operação Sem Desconto em abril de 2025, e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que atua no Congresso.
A viagem a Portugal, que ocorreu a convite do Careca, foi em novembro de 2024, com o objetivo de que Lulinha visitasse uma fábrica de produtos de cannabis medicinal. De acordo com Carvalho, a visita realmente aconteceu, mas não resultou em qualquer parceria comercial entre Lulinha e o Careca do INSS. Vale mencionar que Lulinha não arcou com os custos da viagem a Lisboa.
Recentemente, em janeiro deste ano, os sigilos bancário e fiscal do filho do presidente foram quebrados pela PF, e a CPMI do INSS fez o mesmo no final de fevereiro. Contudo, a quebra de sigilo aprovada pela CPMI foi suspensa por uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o plenário da Corte ainda deve analisar a questão.
Dois pontos destacados nas investigações são os cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, realizados por uma empresa do Careca para uma empresa de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Em conversas no WhatsApp, um ex-sócio do lobista questiona um desses pagamentos e recebe a resposta de que o valor era ‘para o filho do rapaz’. Além disso, um ex-funcionário do Careca afirmou que o lobista mencionava que pagava uma mesada de R$ 300 mil para Lulinha, a fim de ajudá-lo a vender produtos de canabidiol para o Ministério da Saúde. Esse depoimento levanta suspeitas sobre os pagamentos feitos à empresária Roberta, que poderiam, na verdade, ter como destino Lulinha.
