Justiça Italiana Adia Julgamento da Extradição de Zambelli

O julgamento da extradição da deputada cassada Carla Zambelli foi adiado para 24 de novembro, após pedido da defesa por falta de documentação essencial.

•3 min de leitura•Fonte original
Justiça Italiana Adia Julgamento da Extradição de Zambelli
© Reprodução vídeo/ Facebook

A Justiça da Itália decidiu adiar para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição da deputada cassada Carla Zambelli para o Brasil. Zambelli foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, um caso que ganhou notoriedade em 2022, quando ela sacou um revólver e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo.

A Corte de Apelação de Roma acatou um pedido da defesa, que argumentou não ter tido acesso à documentação enviada pelo Brasil. Essa documentação diz respeito às condições da Colmeia, como é chamada a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, para onde Zambelli deve ser levada, caso a extradição seja autorizada.

Embora a Justiça italiana já tenha dado sinal verde à extradição em primeira instância, a defesa conseguiu que a Corte de Cassação reavaliase o caso, citando a falta de informações sobre as condições carcerárias no Brasil. O julgamento, que ocorreria nesta quarta-feira, foi, portanto, transferido para o próximo mês.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que a extradição de Zambelli está sob análise da Justiça italiana. Em uma ocasião anterior, relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a primeira instância também havia autorizado o pedido, mas a defesa reverteu a decisão na Corte de Cassação, que é a última instância para recursos na Itália.

Naquela ocasião, os juízes italianos mencionaram preocupações sobre uma suposta falta de imparcialidade por parte do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes.

Em um comunicado, o advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, ressaltou que o julgamento não poderia prosseguir sem que a defesa tivesse acesso à documentação necessária. Ele afirmou que isso impossibilitaria o exercício adequado da ampla defesa e do contraditório, especialmente em relação às garantias de saúde da ex-deputada.

Maurício ainda enfatizou que "extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante".

Em 2025, Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo, pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Ela foi considerada culpada por liderar uma invasão aos sistemas do CNJ em 2022, com o objetivo de inserir um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes. O intuito, segundo a condenação, era desmoralizar o Poder Judiciário em um momento próximo às eleições presidenciais.

Ainda no mesmo ano, ela recebeu outra condenação do STF, desta vez a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, ligado à perseguição do jornalista Luan Araújo poucos dias antes do segundo turno das eleições.

Após a primeira condenação, antes que a ordem de cumprimento da pena fosse expedida, Zambelli utilizou seu passaporte europeu para deixar o país.

Compartilhar: