Investigação sobre morte de senegalês é reaberta em SP
O procurador-geral de Justiça de São Paulo reaviva o caso da morte de Ngange Mbaye, gerando repercussão e protestos contra a violência policial.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, decidiu reabrir a investigação sobre a morte do ambulante senegalês e refugiado Ngange Mbaye. Ele foi fatalmente atingido por um policial militar durante uma operação no Brás, no centro de São Paulo, em abril do ano passado. O caso, que havia sido arquivado pela Justiça em fevereiro de 2026, foi encerrado após um pedido do próprio Ministério Público. Na ocasião, o promotor Lucas de Mello Schaefer argumentou que o policial agiu em legítima defesa.
Segundo relatos, Mbaye foi atingido por um tiro no abdome enquanto tentava proteger suas mercadorias e as de outro ambulante. O boletim de ocorrência registrado na época afirmava que Ngange resistiu à apreensão de seus produtos e usou uma barra de ferro, que acabou atingindo um policial. Após esse confronto, o policial disparou contra Mbaye. A abordagem e o momento do disparo foram registrados em vídeos que rapidamente se espalharam nas redes sociais, gerando grande repercussão.
Esse triste episódio desencadeou protestos contra a violência policial, com manifestações não apenas em São Paulo, mas também em outras partes do mundo. A ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, chegou a solicitar explicações ao governo brasileiro sobre a morte do ambulante. Em um comunicado à imprensa, ela expressou sua intenção de buscar, por meio da representação diplomática, esclarecimentos sobre as circunstâncias dessa morte trágica.
Além disso, a ONG Horizon Sans Frontières, que monitora casos de migração e violência, classificou a morte de Mbaye como “um novo crime contra um cidadão senegalês no Brasil” e alertou que o país se tornou uma “zona de violência endêmica”. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania pediu à Corregedoria da Polícia Militar, ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que realizem uma "apuração rigorosa dos fatos". Essa investigação deve focar nas circunstâncias que levaram à morte de Ngange e garantir que os responsáveis sejam responsabilizados, além de prevenir que situações semelhantes ocorram no futuro.
Vale ressaltar que entidades do movimento negro também encaminharam denúncias sobre o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. A morte de Mbaye ocorreu durante uma ação da Operação Delegada, um convênio entre a prefeitura de São Paulo e o governo estadual que permite que policiais militares de folga atuem na fiscalização do comércio ambulante.
