Governo propõe comissão para discutir MP das Blusinhas

Governo propõe comissão para discutir MP das Blusinhas

Comissão mista será crucial para análise da MP que isenta impostos em compras online até US$ 50; urgência aumenta com prazo de validade próximo.

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© Lula Marques/Agência Brasil.

O governo federal anunciou que, na próxima terça-feira, dia 11, fará um pedido formal ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que seja instaurada uma comissão mista. Essa comissão terá a importante tarefa de analisar a medida provisória (MP) conhecida como "taxa das blusinhas", que isentou de Imposto de Importação de 20% as compras de até US$ 50 realizadas pela internet.

A MP 1357, editada em maio deste ano, precisa ser aprovada tanto na Câmara quanto no Senado até o dia 8 de setembro, ou correrá o risco de perder sua validade.

Dado que o Congresso programou sessões de “esforço concentrado” em apenas duas semanas até as eleições, com a última ocorrendo entre 31 de julho e 4 de setembro, cresce a preocupação de que a falta de instalação da comissão possa levar à expiração da MP.

José Guimarães, ministro das Relações Institucionais, declarou que pedirá a Alcolumbre a instalação de todas as comissões mistas necessárias para analisar as MPs do governo, enfatizando a urgência da que elimina a "taxa das blusinhas". Em suas palavras nas redes sociais, ele afirmou: “É nossa prioridade a instalação da comissão mista e trabalhar pela sua rápida aprovação, fazendo valer a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula”.

Em contato com a Agência Brasil, a assessoria do senador Davi Alcolumbre não se manifestou sobre a possível instalação da comissão para a análise da MP em questão.

Além disso, Guimarães destacou que o governo está empenhado em evitar a votação de projetos que possam comprometer “o compromisso com o equilíbrio das contas públicas”. Ele também mencionou que está em negociação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114 de 2026, que é uma das prioridades do Executivo.

Esse PLP visa estabelecer regras para renúncias de receita com o intuito de mitigar os impactos do aumento dos preços do petróleo, uma consequência da guerra no Oriente Médio. No entanto, a proposta enfrenta resistência de setores empresariais, que argumentam que a mudança favorece a concorrência externa.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP, alegando que ela fere princípios constitucionais como a “proteção do mercado interno”. Em um comunicado divulgado quando a MP foi criada, a CNI afirmou: “Representa uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”.

Por outro lado, o governo defende que a medida traz benefícios ao consumo popular. O Ministério da Fazenda informou que a MP se tornou viável após a implementação de ações para combater o contrabando e promover uma maior regularização do setor de compras internacionais online.

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