Governo do Peru Proíbe Maquiagem e Cabelo Colorido nas Escolas
Medida polêmica de Keiko Fujimori visa combater assédio escolar, mas gera críticas de organizações feministas.

Data e Hora Atual: 14/10/2026, 11:06:02
Data de Publicação Original: 14/10/2026, 14:00
Em uma medida controversa, o governo do Peru, liderado pela presidente Keiko Fujimori, decidiu proibir o uso de maquiagem, esmalte e cabelo tingido nas escolas públicas de ensino fundamental e médio. Essa decisão, anunciada recentemente, visa combater o assédio e a violência sexual nas instituições de ensino.
Novas Regras nas Escolas
Na última segunda-feira, 12 de outubro, o regulamento disciplinar foi apresentado, trazendo também novas diretrizes para o comprimento do cabelo dos meninos, que deverão mantê-lo curto, além de especificações sobre o comprimento das saias dos uniformes. O ministro da Educação, José Antonio Chang, deixou claro que “não serão permitidas maquiagens, unhas pintadas, cabelos excessivamente longos e pintados”. Ele também ressaltou que as saias escolares devem ter uma “medida adequada”.Durante uma visita a uma escola na periferia de Lima, Fujimori enfatizou a necessidade de impor ordem nas escolas, afirmando: “A ordem não deve reinar apenas nas ruas, mas também voltar às nossas escolas, às nossas salas de aula”. Ela continuou, ressaltando que, embora existam direitos, também há obrigações, e que é inaceitável que os alunos tingem o cabelo ou se maquiem.
Medidas Adicionais e Críticas
Além disso, o novo regulamento reestabelece as notas de disciplina, permite a expulsão de alunos em casos mais graves e proíbe o uso de celulares em sala de aula, a não ser que haja autorização do professor. Essa abordagem reflete a política de tolerância zero do governo em relação à criminalidade, buscando criar um ambiente escolar mais seguro.Os dados do Ministério da Educação são alarmantes: entre janeiro e agosto de 2026, mais de 11,7 mil denúncias de violência escolar foram registradas na plataforma oficial SíseVe, com 2.059 casos relacionados à violência sexual.
Entretanto, organizações feministas no Peru criticam essa abordagem. O Centro da Mulher Peruana Flora Tristán, por exemplo, argumenta que a estratégia do governo Fujimori é equivocada, afirmando que controlar a aparência dos alunos não previne as agressões sexuais ou outras formas de violência nas escolas.
O regulamento ainda precisa ser publicado no diário oficial El Peruano e ficará aberto a objeções e críticas por 30 dias antes de entrar em vigor, com a expectativa de que sua implementação comece no final do ano.
