Ex-Procurador do IRM é Preso Novamente por Corrupção
Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador do Instituto Rio Metrópole, é preso em nova fase da Operação Ouroboros, com novas evidências de corrupção e lavagem de dinheiro.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deu um passo significativo nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, ao cumprir uma nova ordem de prisão preventiva para Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM). Ele é acusado na Operação Ouroboros, que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.
Marcelo já havia sido preso durante a primeira fase da operação, mas teve sua prisão revogada pela Justiça após um habeas corpus. No entanto, a situação mudou com a decisão da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, que, após analisar o celular apreendido, encontrou novos indícios de corrupção.
De acordo com informações do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ (Gaesf), Marcelo orientou sua então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um microempreendimento individual (MEI) para ser contratada pela Engeconsult, uma empresa com contratos significativos com o IRM. O contrato previa um pagamento total de R$ 30 mil, dividido em parcelas, por serviços administrativos que, segundo as investigações, eram uma fachada para encobrir vantagens indevidas.
Mensagens recuperadas no celular de Marcelo revelaram que ele pediu que as conversas sobre esse assunto não fossem registradas por escrito. O contrato com a Engeconsult foi assinado no mesmo dia em que a empresa foi criada, e a data do documento era anterior à constituição do negócio. Os pagamentos eram direcionados à conta de Thays.
Além disso, a análise do celular expôs conversas que demonstram a influência de Marcelo na liberação de pareceres favoráveis ao grupo, manipulação de documentos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e tentativas de evitar que questões fossem levadas a órgãos de controle. Em uma das mensagens, ele afirmou sobre um caso que poderia ser encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”.
Após deixar a Procuradoria do IRM em 8 de junho deste ano, Marcelo continuou a se envolver com o grupo. Apenas sete dias após seu desligamento, ele respondeu a um pedido para elaborar um parecer: “Deixa comigo”, evidenciando que sua influência não estava restrita ao cargo oficial.
Com essas novas evidências, o MPRJ decidiu ampliar a denúncia contra Marcelo, incluindo mais seis crimes de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também foi incluído na lista de acusados, respondendo por mais seis crimes de lavagem de dinheiro. A Justiça já aceitou esse aditamento.
Na primeira fase da Operação Ouroboros, iniciada em julho, o MPRJ denunciou 11 pessoas por envolvimento em um esquema de desvio de recursos do IRM, que movimentou R$ 86,28 milhões. A denúncia afirma que os valores pagos pelo IRM à Engeconsult e à R. Peotta Engenharia eram repassados ao Instituto BIO, uma entidade sem a estrutura necessária para justificar tais transações.
