Criptografia do Discord e Desafios na Proteção de Menores
Discord implementa criptografia de ponta a ponta, mas ANPD suspende transmissões ao vivo devido a preocupações com a segurança de menores.

Discord Adota Criptografia de Ponta a Ponta, Enfrenta Críticas e Suspensões
No dia 15 de agosto de 2026, a empresa Discord, responsável pelo popular aplicativo de comunicação, anunciou a ativação global da criptografia de ponta a ponta para chamadas de vídeo e voz. Essa decisão ocorre antes da implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor em março deste ano.
A criptografia visa proteger a privacidade dos usuários, tornando as mensagens ilegíveis para quem não está diretamente envolvido na conversa. Segundo a empresa, apenas os convidados podem ouvir ou ver as transmissões, excluindo até mesmo funcionários da plataforma.
Entretanto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) expressou preocupações sobre essa funcionalidade. A ANPD argumenta que a criptografia pode comprometer a segurança das transmissões ao vivo, o que contraria as exigências do ECA Digital. Este estatuto determina que provedores de aplicativos implementem medidas auditáveis e seguras para proteger usuários menores de 18 anos, incluindo verificação de idade e supervisão parental.
A Superintendência de Fiscalização da ANPD destacou que é alarmante que um produto com proteções insuficientes para transmissões ao vivo tenha sido lançado logo após a promulgação do ECA Digital. Em resposta, a ANPD suspendeu preventivamente as transmissões ao vivo e o compartilhamento de vídeos na plataforma.
Essa decisão foi motivada por um trágico incidente ocorrido em 22 de julho, quando uma adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord. A ANPD argumenta que a suspensão das transmissões ao vivo é uma tentativa de prevenir novos episódios de violência e coação envolvendo menores.
O caso está sendo investigado em um processo de fiscalização iniciado pela ANPD no início de agosto, com o objetivo de verificar se a Discord falhou em implementar medidas para proteger crianças e adolescentes em sua plataforma.
Além disso, a situação levou à Operação Lívia, realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, para investigar uma suposta organização criminosa que estaria atraindo crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetendo-os a coerções psicológicas e incentivando atos de violência extrema.
Na primeira fase da Operação Lívia, cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, foram apreendidos, e um homem de 18 anos foi detido. As autoridades cumpriram oito mandados de busca e apreensão em quatro estados, além de Mato Grosso do Sul: Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.
Enquanto a Discord busca melhorar a privacidade de seus usuários, as repercussões de suas ações geram um intenso debate sobre a segurança e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
