Conflito policial em Lisboa e Porto: feridos em acampamento

Conflito policial em Lisboa e Porto: feridos em acampamento

Operação da PSP contra acampados gera tensão nas ruas de Lisboa e Porto, resultando em feridos e detenções.

•3 min de leitura•Fonte original

Reprodução Redes Sociais

Nos últimos dias, a tensão aumentou nas ruas de Lisboa e Porto, onde se ouviram gritos de “cheira a ditadura” enquanto as unidades especiais da Polícia de Segurança Pública (PSP) agiam com força contra os manifestantes. O que se viu foi uma operação coordenada para desmobilizar os acampamentos que haviam sido montados na Praça do Rossio e na Praça D. João I.

Os relatos que surgiram falam de várias detenções e feridos. De acordo com informações do jornal Observador, a PSP registrou 11 feridos, sendo seis em Lisboa e cinco no Porto, incluindo três agentes da polícia. Por outro lado, uma porta-voz dos acampados no Porto informou à Lusa que, na verdade, houve 37 feridos leves e mais dois detidos.

Catarina dos Santos, porta-voz da acampada no Porto, expressou sua indignação: “É a terceira noite em que somos reprimidos com um método de intimidação total que jamais se esperaria num país democrático e de Direito.” Essas palavras ecoam o sentimento de muitos que se sentem acuados.

A PSP havia avisado no início da tarde que não permitiria que as tendas ficassem na Praça do Rossio durante a noite. A presença das tendas nas praças tem sido o foco de conflito com a polícia nas últimas semanas de protestos. Quando a noite caiu, os manifestantes decidiram, em uma assembleia popular, montar as tendas para passar a noite.

Cerca de 130 tendas foram erguidas na Praça do Rossio em Lisboa, e a operação de remoção teve início por volta da 1:00 da madrugada nas duas cidades. Os manifestantes perceberam um reforço policial que parecia desproporcional, com equipes cinotécnicas se posicionando nas praças.

Catarina Santos descreveu a situação: “Havia pelo menos 20 cães de controle de multidões, claramente agitados, com várias armas apontadas para nós. Se isso não é intimidador e grave, não sei o que é.” Após uma breve negociação com os organizadores do protesto, que se opuseram à retirada das tendas, a situação se intensificou.

Por volta das 2 da madrugada, a polícia cercou as duas praças e começou a desmobilizar os manifestantes. Eles formaram um cordão humano, mas a intervenção policial foi marcada por violência, acompanhada de petardos e muita confusão. Na Praça D. João I, críticas à atuação da PSP foram ouvidas, e os presentes começaram a cantar “Grandola, Vila Morena”, uma canção emblemática do 25 de Abril.

A operação de “limpeza” das praças foi rápida; as tendas foram imediatamente removidas e os manifestantes, que prometeram voltar, buscaram abrigo nas praças vizinhas. Os movimentos Acampada de Lisboa e do Porto seguem reivindicando mudanças significativas, como a reversão da lei do arrendamento, o fim dos despejos de pessoas sem alternativa habitacional, um controle sobre a compra de imóveis por fundos imobiliários, a recuperação de prédios abandonados e a implementação de um teto para os Manifestantes em Lisboa se unem por direito à habitação aluguéis.

Compartilhar: