Cidadãos Podem Contribuir na Criação do Orçamento da União
“A ideia é, justamente, criar essa cultura do povo apontar o dedo e decidir o que precisa no seu município, qual a prioridade”, disse em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov.

Na última quarta-feira, 25 de janeiro de 2026, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, revelou uma novidade empolgante: o governo está desenvolvendo um projeto inovador que permitirá à população ter voz ativa na construção do Orçamento da União. Denominado Orçamento do Povo, essa iniciativa busca incentivar a participação cidadã na definição de como o dinheiro público deve ser utilizado. O lançamento do projeto está previsto para o próximo mês, embora, neste primeiro ano, a proposta tenha um caráter mais educativo, já que o Orçamento de 2026 já foi aprovado e sancionado. "A ideia é, de fato, cultivar essa cultura em que o povo aponta o dedo e decide o que é prioritário em seu município", comentou Boulos durante uma entrevista ao programa Bom dia, Ministro, veiculado pelo Canal Gov. O ministro também destacou a importância do projeto em um cenário marcado por questões como o escândalo do orçamento secreto, que envolve a falta de transparência na alocação de recursos públicos. Boulos explicou que, no orçamento secreto, uma parte significativa do orçamento – neste ano, foram R$ 61 bilhões em emendas parlamentares – acaba sem a devida transparência. O objetivo do Orçamento do Povo é mostrar que a população pode se apropriar do orçamento do governo brasileiro. Com essa nova proposta, cada cidadão terá a oportunidade de votar em uma proposta que gostaria de ver implementada em sua cidade. No primeiro ano, a meta é abranger cerca de 400 municípios, incluindo todas as capitais do país. É importante ressaltar que cada localidade terá um orçamento específico, e os recursos virão dos ministérios que decidirem participar da iniciativa. Até agora, sete pastas já estão engajadas no Orçamento do Povo. Boulos deu exemplos práticos de como a população poderá influenciar as decisões: "Por exemplo, a Saúde já tinha um planejamento para gastos com ambulâncias do Samu. Uma parte desse investimento ficará a cargo da população, que poderá decidir quais cidades merecem prioridade. Assim, você poderá optar por, digamos, R$ 1 milhão para ambulâncias ou escolher projetos como praças com Wi-Fi, do Ministério da Comunicação; ou ainda decidir sobre salas de aula climatizadas, que fazem parte do projeto do Ministério da Educação; ou os MovCEU, uma iniciativa do Ministério da Cultura que leva a cultura itinerante às comunidades." O ministro enfatizou que a proposta mais votada será a que será encaminhada pelo governo. "Quando você cria essa cultura de participação – em que as pessoas apontam para onde vai o dinheiro – a população se torna incontrolável. E é isso que buscamos", concluiu Boulos.
