Câmara dos Deputados Debate Fim da Escala 6×1 e Pequenos Negócios
Discussão sobre a jornada de trabalho 6×1 e seus impactos nas mulheres e pequenos empreendimentos ganha destaque na Câmara dos Deputados.
A comissão especial da Câmara dos Deputados se reuniu nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, para discutir o fim da jornada de trabalho 6×1 e como essa mudança pode afetar a vida das mulheres e o funcionamento dos pequenos negócios. O Sebrae participou ativamente das conversas, trazendo dados e informações relevantes sobre essa questão.
De acordo com a pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, mais da metade (51%) dos proprietários de micro e pequenas empresas, assim como dos Microempreendedores Individuais (MEIs), acredita que a eliminação da escala 6×1 não terá impacto em suas operações. Esse levantamento, feito em 2026, revelou uma diminuição na porcentagem de empreendedores que veem essa mudança como negativa, caindo de 32% em 2024 para 27% em 2026.
Além disso, o estudo mostrou um leve aumento entre aqueles que percebem um impacto positivo da medida, subindo de 9% para 11%. No total, 87% dos empresários afirmaram estar cientes da proposta de alteração na jornada de trabalho.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, enfatizou o compromisso da instituição em apoiar os pequenos negócios nesse processo de mudança. “Estamos trabalhando juntos com o governo federal para garantir que essas empresas recebam o suporte necessário. É fundamental que as alterações na jornada de trabalho ocorram de forma dialogada, envolvendo uma ampla negociação com diversos setores da sociedade, assegurando segurança jurídica e sustentabilidade tanto para as empresas quanto para os trabalhadores”, destacou.
O impacto sobre as mulheres
Durante a reunião, muitos depoimentos ressaltaram o peso desproporcional que a escala 6×1 impõe sobre as mulheres trabalhadoras e empreendedoras. Sônia Maria da Silva, secretária de Trabalho da Mulher, do Idoso e da Juventude da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), fez uma análise sobre essa situação.
“Além de suas atividades formais, as mulheres frequentemente assumem, de maneira desproporcional, as responsabilidades de cuidar da casa, dos filhos, dos idosos e da família. Para milhões delas, um único dia de folga na semana não representa descanso, mas sim a continuidade das tarefas”, comentou.
Caroline dos Reis, secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, também abordou a questão da desigualdade racial no mercado de trabalho, que merece atenção. “A escala 6×1 não afeta todas as pessoas de forma igual. Ela pesa mais sobre aqueles que já estão em situação de vulnerabilidade”, enfatizou.
Esse cenário revela a complexidade da questão, que vai além de uma simples mudança de jornada de trabalho, exigindo uma reflexão mais profunda sobre as realidades enfrentadas por diferentes grupos na sociedade.
