Caiado Propõe Isenção da 'Taxa das Blusinhas' para Empresas
Candidato à presidência defende igualdade tributária para empresas brasileiras em meio à proposta de isenção de impostos sobre compras internacionais.
20 de agosto de 2026, 13h32 - Atualizado às 13h35
Nesta quinta-feira, o candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) fez um importante pronunciamento. Ele defendeu que a isenção do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, seja estendida também a empresas brasileiras. Caiado ressaltou que não é contra o benefício concedido a compras no exterior, mas acredita que é justo oferecer um tratamento similar às empresas do varejo que operam aqui no Brasil. Atualmente, essa isenção beneficia apenas pessoas físicas que realizam compras em plataformas de e-commerce internacionais.
As declarações de Caiado aconteceram durante uma agenda de campanha no Brás, um bairro da capital paulista. Ele fez essa proposta após ouvir de empreendedores e lojistas, em um encontro, a solicitação para que as empresas nacionais também sejam contempladas pela isenção. Em seguida, o candidato visitou alguns estabelecimentos comerciais na região.
“Não faz sentido escolher alguém que está gerando emprego na China em vez de apoiar quem está criando empregos aqui no Brasil”, afirmou Caiado.
Para ele, essa medida poderia ajudar a nivelar as condições entre empresas nacionais e estrangeiras. “Eu não vou crescer com o PIB da China, vou crescer com o PIB brasileiro. Isso é evidente”, completou.
Porém, é importante notar que Caiado não apresentou uma estimativa sobre o impacto orçamentário que essa possível extensão da isenção poderia causar.
Esse debate acontece em um momento em que o Congresso está analisando uma Medida Provisória (MP) que permite ao Ministério da Fazenda fazer alterações, dentro de certos limites, nas alíquotas aplicadas às remessas internacionais.
A proposta inclui a possibilidade de zerar a cobrança para compras de até US$ 50 e estabelece um teto de 30% para remessas de até US$ 3 mil. Vale lembrar que o texto precisa ser aprovado até 8 de setembro; caso contrário, a alíquota de 20% sobre as compras de até US$ 50 será reinstaurada no dia seguinte.
Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo pedindo a aprovação da MP, afirmando que considera injusta a cobrança sobre compras de menor valor. O setor varejista, por sua vez, tem se mostrado contrário à eliminação da alíquota.
Caiado também comentou, nesta quinta-feira, sobre as declarações do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na quarta-feira, se manifestou sobre a defesa do impeachment de ministros da Corte por candidatos ao Senado. Mendes reconheceu que a proposta tem apelo eleitoral, mas destacou que enfrentaria dificuldades para ser implementada caso seus defensores fossem eleitos.
Quando questionado sobre o tema, Caiado não mencionou o nome do decano, mas defendeu que "o Senado Federal, conforme a Constituição Brasileira, possui essa prerrogativa e poderá exercê-la [em caso de conduta criminosa de ministros do STF]”.
“Qualquer pessoa, independentemente do poder que exerça, que cometa um crime, deve ser responsabilizada”, acrescentou o ex-governador de Goiás.
