ANCORD Apoia Autonomia Financeira do Banco Central em 2026
Entidade destaca a importância da independência orçamentária para o Banco Central em evento histórico com a presença do presidente Gabriel Galípolo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu um apoio público e formal do setor privado em favor da autonomia financeira da autarquia na última sexta-feira, dia 22. O evento ocorreu na sede da ANCORD — a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias. Este foi um marco histórico, pois foi a primeira vez que um presidente do Banco Central esteve presente na entidade, que representa 90% do volume negociado na B3.
O pano de fundo desse encontro era a PEC 65/2023, que busca garantir não apenas a independência operacional do Banco Central — já assegurada por lei —, mas também sua autonomia financeira, administrativa e orçamentária.
Para a ANCORD, essa diferenciação é fundamental. A entidade argumenta que ter a capacidade técnica de tomar decisões sem controle sobre o próprio orçamento não é uma verdadeira independência — é vulnerável. Durante o encontro, Rafael Furlanetti, presidente da ANCORD, foi direto: “A independência do Banco Central não existe se não houver uma autonomia financeira.” Ele complementou que um orçamento dependente de negociações políticas anuais cria um canal indireto de pressão sobre a autarquia.
“O mercado evoluiu. O BC e os demais órgãos de controle precisam de recursos humanos e financeiros à altura desse desafio”, enfatizou.
Galípolo agradeceu o apoio, reconhecendo que os avanços recentes foram frutos de um diálogo próximo com o mercado, embora tenha admitido que o ritmo nem sempre agrada a todos.
Enquanto a autonomia do BC foi um tema central, outro assunto acendeu um sinal de alerta imediato: as operações de CFD (Contract for Difference) e Forex. Essas modalidades de investimento, consideradas de altíssimo risco, foram comparadas por Furlanetti ao infame jogo de azar digital. “É o Jogo do Tigrinho do mercado de capitais”, afirmou ele, sem hesitar.
Essa comparação não é por acaso. Assim como o Tigrinho atraiu milhões de brasileiros com promessas de lucros fáceis e pouca regulação, as plataformas de CFD e Forex muitas vezes operam em paraísos fiscais, sem a supervisão necessária que o mercado brasileiro exige — e com um marketing agressivo nas redes sociais. “As pessoas abrem contas em paraísos fiscais e negociam ativos de alto risco sem qualquer supervisão, mas esses produtos são anunciados como se fossem a última bolacha do pacote”, criticou Furlanetti.
O impacto dessa situação, segundo a ANCORD, vai além do risco individual para o investidor. A entidade argumenta que esse fenômeno representa uma exportação de liquidez do mercado nacional para estruturas que, em muitos casos, são vistas como fraudulentas. Dinheiro que poderia estar circulando no sistema financeiro regulado do Brasil está sendo desviado para plataformas offshore, que operam com pouca ou nenhuma transparência.
Essa preocupação se fundamenta em dados concretos. Somente em 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já tinha encerrado 37 plataformas irregulares no Brasil, por meio da emissão de stop orders, ordens que interrompem as operações dessas entidades.
