Alckmin: Dívida Pública é Desafio Global e Necessita de Ação no Brasil
Vice-presidente Geraldo Alckmin destaca a urgência de enfrentar a dívida pública e os privilégios para garantir crescimento econômico no Brasil.
17 de agosto de 2026, 13h24 Atualizado em 17 de agosto de 2026, 13h25
Na manhã desta segunda-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin se pronunciou sobre um tema que vem preocupando muitas nações: o aumento da dívida pública. Durante sua palestra na 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo, ele destacou que essa não é uma questão exclusiva do Brasil, mas um desafio global. “Esse problema da dívida não é só nosso; é uma realidade enfrentada por muitos países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, e a maioria deles possui uma dívida superior a 100% do PIB”, comentou Alckmin.
Entretanto, ele também fez questão de ressaltar que a situação do Brasil demanda uma atenção ainda mais cuidadosa, considerando que o país está em processo de desenvolvimento. Para Alckmin, é fundamental que a trajetória da dívida seja abordada com ações que visem a aliviar a pressão nas contas públicas, permitindo, assim, um espaço maior para investimentos e crescimento econômico.
Em sua fala, o vice-presidente também mencionou circunstâncias excepcionais que requerem a intervenção do Estado, como as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. Ele ponderou que situações de grande gravidade não podem ser deixadas de lado pelo governo. No entanto, fora desses eventos extraordinários, é necessário que qualquer aumento de despesas seja equilibrado com cortes em outras áreas.
Alckmin enfatizou a necessidade de uma mudança na maneira como o Brasil gerencia seus gastos públicos. Para ele, o ajuste fiscal não deve se restringir a aumentar a arrecadação, mas também deve incluir um forte combate ao privilégio e ao desperdício. “Só existe um caminho: precisamos cultivar uma cultura de combate ao privilégio e desperdício. E, assim, a sociedade terá um papel ativo em cobrar responsabilidade dos Três Poderes”, afirmou.
Nesse contexto, o vice-presidente também criticou as chamadas pautas-bomba, que são medidas aprovadas pelo Congresso e, segundo o governo, aumentam os gastos ou reduzem as receitas sem uma adequada explicação de como esses custos serão cobertos. Alckmin ressaltou que essa questão não deve ser vista como uma disputa entre o Executivo e o Legislativo, mas sim como um problema que impacta diretamente a sociedade.
“Essas pautas-bomba não visam apenas o governo. Elas são prejudiciais ao povo. Não se trata de um ataque ao Executivo, mas sim à população”, declarou.
Alckmin também fez uma defesa da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) para conter esse tipo de agenda. Sua declaração é especialmente relevante, uma vez que o STF deve analisar, em setembro, uma proposta de súmula vinculante apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, que busca consolidar a exigência de estimativas de impacto e medidas compensatórias para leis que gerem despesas obrigatórias ou impliquem renúncia de receita.
Ao ser questionado sobre quais passos o Brasil deveria tomar agora para aproveitar as oportunidades da próxima década, Alckmin propôs uma agenda de reformas estruturantes. Nesse sentido, ele destacou a importância da continuidade da reforma tributária e da reforma administrativa como essenciais para aprimorar o funcionamento do setor público.
