Acessibilidade nas Eleições de 2026: Um Avanço Necessário
Cerca de 1,97 milhão de eleitores com deficiência estarão nas urnas em outubro, um aumento significativo em relação a 2022, segundo o TSE.
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Cerca de 1,97 milhão de eleitoras e eleitores com deficiência estão prontos para votar nas eleições de outubro de 2026, de acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse número representa um impressionante aumento de 42% em comparação com as eleições gerais de 2022, quando 1,38 milhão de pessoas com deficiência estavam registradas para participar do pleito.
Dentro desse grupo, 319.489 pessoas se declararam com deficiência visual. Em 2022, esse total era de 214.088, o que significa um crescimento de aproximadamente 49%. Essa tendência mostra um engajamento crescente da população.
Para atender a essa demanda, a Justiça Eleitoral aumentou o número de seções eleitorais acessíveis. Em 2022, eram 156.296 seções, enquanto para as eleições deste ano, esse número subiu para 220.577, resultando em um crescimento de cerca de 41%. Essa ampliação da estrutura é essencial para garantir que todos possam exercer seu direito ao voto com mais autonomia.
A aposentada Regina Célia Santos, que tem deficiência visual, nunca deixa de votar. Apesar de ter perdido a visão há 14 anos, para ela, ir às urnas a cada eleição é uma maneira de afirmar seu compromisso com a cidadania. “A obrigação do brasileiro é exercer essa cidadania. Eu sempre alerto a todos que devem votar. Se a gente quer um país melhor, temos que tentar mudar as cadeiras”, compartilha Regina com convicção.
Para facilitar a votação de pessoas com deficiência visual, as urnas eletrônicas oferecem um sistema de áudio, que pode ser utilizado com fones de ouvido descartáveis fornecidos pela Justiça Eleitoral. Esse recurso permite que os eleitores escutem as informações apresentadas pela urna e acompanhem seu voto. Além disso, há uma identificação tátil na tecla 5, que serve como referência para a localização das demais teclas.
As urnas também vêm equipadas com teclado numérico que tem identificações em Braille, além de recursos de áudio que leem as teclas digitadas e os nomes dos candidatos. Para os eleitores surdos, há intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) disponível na tela para oferecer assistência.
Recentemente, durante uma visita ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Regina teve a oportunidade de conhecer esses recursos. Ela recebeu orientações sobre como utilizar o sistema de áudio, incluindo como ajustar o volume.
Michel Kovacs, secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, esclareceu que os eleitores com deficiência visual podem utilizar os recursos de áudio mesmo que não tenham informado esse detalhe anteriormente à Justiça Eleitoral. “Se a pessoa já estiver cadastrada, o áudio é habilitado automaticamente. O mesário nem precisa fazer nada, já fica registrado na urna e o áudio funciona automaticamente. Mas, se a pessoa não estiver cadastrada, basta informar ao mesário que o áudio será habilitado e o fone fornecido”, explicou.
Além disso, eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida têm prioridade na votação. Essa preferência também se aplica a um acompanhante ou atendente pessoal, mesmo que essa pessoa esteja inscrita para votar em outra seção eleitoral. É importante lembrar que as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem escolher alguém de confiança para auxiliá-las durante a votação, mesmo que não tenham feito uma solicitação prévia.