
Zelenskyy Envia Negociador aos EUA para Retomar Conversas com a Rússia
Rustem Umerov se reunirá com autoridades americanas para discutir o fim da invasão russa, enquanto as negociações com o Irã permanecem estagnadas.
Reprodução Redes Sociais
Na próxima quinta-feira, Rustem Umerov, o principal negociador da Ucrânia, estará em conversações com autoridades norte-americanas na Flórida. O foco será encontrar maneiras de encerrar a invasão russa em grande escala, conforme confirmado por Kiev em um momento crítico, onde as negociações em torno da guerra no Irã estão praticamente paradas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou em uma publicação no X que o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia participará de uma série de reuniões com representantes do governo dos Estados Unidos.
Zelensky destacou que Kiev já estabeleceu "as tarefas principais" para essas discussões, incluindo a possibilidade de uma troca de prisioneiros com a Rússia e a garantia de segurança para a Ucrânia no cenário pós-guerra. Ele também mencionou que Umerov e ele têm colaborado com parceiros europeus, especialmente em relação às operações com drones. "Estamos preparando os acordos que foram alcançados em alto nível, assim como novos passos no desenvolvimento tecnológico conjunto", afirmou Zelensky.
Entretanto, as conversações mediadas pelos Estados Unidos para resolver o mais grave conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial têm avançado lentamente desde fevereiro, quando Washington mudou seu foco para a guerra com o Irã. A última reunião de Umerov foi com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump, na Flórida, entre os dias 21 e 22 de março. Desde que retomou o cargo, Trump tem pressionado tanto Moscovo quanto Kiev a buscar um entendimento, mas as negociações ainda não conseguiram trazer as partes mais próximas de um acordo para pôr fim aos combates, que começaram com a invasão total da Rússia há quatro anos.
As discussões, que já estavam estagnadas, foram adiadas no final de fevereiro, quando teve início a campanha aérea israelita-americana contra o Irã. Mesmo antes do conflito no Médio Oriente, Rússia e Ucrânia já enfrentavam desavenças sobre a questão territorial. A Ucrânia sugeriu um congelamento do conflito ao longo das linhas de frente atuais, mas a Rússia rejeitou essa proposta, insistindo em querer toda a região de Donetsk, considerada inaceitável por Kiev.
Por outro lado, na quinta-feira, o Kremlin anunciou que implementará um cessar-fogo de dois dias com a Ucrânia, começando à meia-noite, coincidindo com o desfile patriótico do dia 9 de maio. Isso ocorre após Moscovo ter ignorado um cessar-fogo proposto por Kiev no início da semana. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que "não houve qualquer reação russa" ao cessar-fogo ucraniano de 6 de maio, que foi rejeitado por Moscovo como "cinismo absoluto".