XP Ajusta Expectativas: Preço do Brent e IPCA em 2026
Revisões nas projeções econômicas da XP refletem queda no preço do petróleo e impacto na inflação, mantendo Selic em 14% até 2026.

A XP Investimentos revisou suas projeções macroeconômicas após uma queda significativa nos preços do petróleo no mercado internacional. A nova expectativa é que o Brent feche o segundo semestre de 2026 em torno de US$ 75 por barril, uma redução em relação à previsão anterior de US$ 85. Economistas da XP alertam que essa mudança impacta negativamente as receitas de exportação e a arrecadação de impostos no Brasil, mas, por outro lado, ajuda a amenizar a pressão inflacionária global e diminui as chances de uma elevação nas taxas de juros pelo Federal Reserve (o banco central dos EUA) no curto prazo.
No que diz respeito à economia brasileira, a XP manteve sua projeção de crescimento do PIB em 2,0% para 2026, com um viés de alta, especialmente considerando as várias medidas expansionistas que vêm sendo implementadas.
Contudo, para 2027, a expectativa de crescimento foi reduzida de 1,2% para 1,0%. Essa diminuição reflete o fim dos estímulos de curto prazo e uma possível desaceleração do crédito.
A XP também projeta um déficit primário de 0,3% do PIB em 2026, mas observa que o aumento das despesas financeiras pode ampliar o impacto fiscal e pressionar a trajetória da dívida pública.
Além disso, a previsão para o déficit em conta corrente foi elevada para 2,5% do PIB em 2026, em comparação com a estimativa anterior de 2,1%. Essa alteração deve-se à queda nas exportações de petróleo e ao aumento dos gastos com serviços.
A instituição ressalta que fatores como a incerteza política, a queda nos preços das commodities e a valorização do dólar no cenário global podem pressionar a taxa de câmbio. Apesar desses desafios, o balanço de pagamentos permanece favorável, levando a XP a manter a projeção do dólar em R$ 5,00 ao final de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027.
Com o petróleo mais barato, a XP ajustou sua estimativa para o IPCA de 2026, passando de 5,5% para 5,2%. Para 2027, a projeção permanece em 4,2%, embora os riscos ainda estejam inclinados para cima. A XP acredita que uma inflação menos pressionada no curto prazo aumenta as chances de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto.
No entanto, fundamentos ainda desfavoráveis devem levar o Banco Central a ser cauteloso em suas decisões futuras. A projeção para a Selic ao final de 2026 foi mantida em 14,0%. Para 2027, a expectativa é de um retorno ao ciclo de cortes, com a taxa básica encerrando o ano em 11,5%, em meio a uma desaceleração da atividade econômica e à possibilidade de avanços no ajuste fiscal.
Por fim, os analistas da XP notam que as eleições começam a se tornar um tema relevante nas discussões do mercado. Recentes pesquisas indicam uma recuperação na popularidade do Presidente Lula, à medida que os consumidores começam a sentir os efeitos dos estímulos econômicos recentes. Em contrapartida, Flavio Bolsonaro, o principal candidato de oposição, parece ter perdido um pouco de apoio após ser associado a Daniel Vorcaro, do Banco Master. “No entanto, ele ainda é considerado um candidato competitivo, segundo a maioria das pesquisas”, comentam os analistas. “Por enquanto, as notícias sobre as eleições têm gerado uma volatilidade de curto prazo, mas não estabelecem uma tendência clara para os preços dos ativos, dado que as incertezas continuam elevadas.”