Xiaomi Registra Queda de 34% no Brasil: Impactos e Concorrência
A fabricante enfrenta desafios significativos no mercado de smartphones brasileiro, com queda nas remessas e aumento da competição.
Arte editorial automática
O mercado brasileiro de smartphones atravessa um momento desafiador em 2026. A Xiaomi, uma das principais fabricantes, é a que mais sente esse impacto. Segundo dados da consultoria Counterpoint Research, as remessas da empresa no Brasil caíram impressionantes 34% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.
Apesar dessa queda significativa, a Xiaomi ainda ocupa a terceira posição entre as fabricantes que mais enviaram celulares para as lojas brasileiras. Esse desempenho contrasta com o da Samsung e da Apple, que conseguiram aumentar suas remessas durante o mesmo período. No total, o mercado de smartphones viu uma retração de 11% nas remessas no primeiro semestre.
Esse cenário é resultado da crise na cadeia global de componentes, especialmente no setor de chips de memória, que tem pressionado marcas que operam no segmento de custo-benefício. Essas empresas, com margens de lucro mais estreitas, são mais vulneráveis a reajustes.
A queda de 34% deixa a Xiaomi como a fabricante mais impactada pela desaceleração do mercado brasileiro, reflexo dos altos custos e das dificuldades de abastecimento que vêm atingindo a indústria de celulares.
Outra marca asiática que também foi negativamente afetada é a Infinix, que ocupa a quinta posição no mercado. A empresa, parte do mesmo grupo que a Tecno e a Itel, viu suas remessas despencarem 24% em relação ao ano passado.
Por outro lado, o crescimento de outras marcas chinesas, como Honor, Oppo e Realme, além da Jovi, marca da Vivo Mobile, tem gerado uma competição acirrada nos segmentos em que a Xiaomi atua. Essas empresas têm investido em produção ou montagem local, promoções e parcerias para reduzir custos e conquistar espaço no mercado. Contudo, a participação combinada delas caiu de 26% no primeiro semestre de 2025 para 20% no mesmo período de 2026.
Enquanto as marcas chinesas enfrentam dificuldades, as tradicionais estão recuperando seu espaço. Samsung e Motorola mantiveram uma posição dominante, juntas respondendo por 73% das remessas no primeiro semestre. A sul-coreana, mesmo enfrentando prejuízos na divisão de celulares, conseguiu crescer 10% em relação ao ano passado, destacando-se com o Galaxy A07 4G, que sozinho representa 8,3% das remessas deste semestre. Já a Motorola teve um crescimento mais modesto, de apenas 1%.
A Apple também avançou no mercado brasileiro nos últimos meses, com suas remessas crescendo 19% na comparação anual, aumentando sua participação de 6% para 7%, empatando agora com a Xiaomi.
O relatório revela que a maior parte dos smartphones vendidos no Brasil ainda está concentrada nas faixas de preço mais acessíveis. Aparelhos de até US$ 249 (cerca de R$ 1.250) representaram 78% das remessas. No entanto, os dispositivos abaixo de US$ 99 (R$ 550) perderam espaço.
De acordo com Tina Lu, analista da consultoria, essa mudança se deve ao fato de que muitos consumidores estão dispostos a pagar um pouco mais por especificações superiores e pela maior variedade de modelos disponíveis nessa faixa de preço.
Em resumo, a Xiaomi enfrenta um período complicado, com uma queda acentuada nas remessas, enquanto concorrentes tradicionais e novas marcas se adaptam e aproveitam as oportunidades no mercado.
