
Vivo Enfrenta 10 Processos na Anatel por Sistema Anti Spam
Operadora de telefonia é alvo de ações devido a tecnologia que bloqueia chamadas indesejadas, afetando serviços essenciais de saúde e comunicação.
Vivo Anti Spam causa discórdia no setor de telecomunicações (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Uma nova tecnologia desenvolvida pela Vivo para combater chamadas de telemarketing se transformou em um desafio legal para a operadora. Com pelo menos dez processos administrativos na Anatel, a Vivo defende que sua ferramenta, o Anti Spam, é uma solução para proteger os clientes de chamadas massivas e sem identificação. No entanto, a implementação dessa tecnologia tem gerado controvérsias entre outras empresas do setor.
Desde dezembro de 2024, a Vivo testou publicamente o Vivo Anti Spam, inicialmente cobrando uma mensalidade de R$ 9,90 para bloquear chamadas indesejadas. Com o tempo, a operadora passou a oferecer o serviço gratuitamente e de forma automática para seus clientes de telefonia móvel, tanto no plano controle quanto no pós-pago.
Agora, dezoito meses após o lançamento, a situação é preocupante: pelo menos dez processos estão em andamento na Agência Nacional de Telecomunicações para suspender essa tecnologia. Documentos analisados revelam que empresas de telefonia enfrentam dificuldades para completar chamadas para números da Vivo. Um caso notável é o da 3Corp, que alega que a telefonia corporativa em nuvem fornecida à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo não consegue completar suas chamadas.
Mais de 25 mil números utilizados pela secretaria em hospitais e unidades de saúde estão sendo impactados, o que pode comprometer a comunicação com pacientes e campanhas de vacinação. A 3Corp tentou resolver a situação por meio de bilhetes de anormalidade, mas a Vivo alegou que não havia problemas técnicos, encerrando os chamados com a justificativa de "abertura indevida".
A operadora justificou que o bloqueio é uma política do sistema Anti Spam e não uma falha na rede. Em um ofício à Anatel, a 3Corp destacou que o bloqueio afeta números usados por 1.089 unidades de saúde, podendo causar sérios prejuízos à prestação de serviços públicos essenciais, como a confirmação de consultas.
Representantes da Vivo afirmaram que o acesso não é bloqueado para empresas que seguem as regras do Anti Spam e do STIR/SHAKEN, um método adotado para garantir a autenticidade das chamadas e evitar práticas fraudulentas. A Vivo também apoia um projeto da Anatel para que 100% das chamadas entre operadoras sejam autenticadas por esse padrão ainda neste ano. Entretanto, a falta de transparência sobre o funcionamento do Anti Spam continua a gerar críticas.
