Unesco Reconhece Locais de Escravidão e Resistência no Brasil

Unesco Reconhece Locais de Escravidão e Resistência no Brasil

Brasil amplia seu patrimônio cultural com três novos locais reconhecidos pela Unesco, destacando a importância da memória negra e resistência histórica.

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Reprodução Redes Sociais

PATRIMÔNIO CULTURAL

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Recentemente, o Brasil deu um passo significativo ao ampliar sua presença na Rede de Lugares de História e Memória relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A inclusão do Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, da Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, e da Serra da Barriga, em União dos Palmares, foi anunciada na última sexta-feira, dia 23. Esse reconhecimento internacional destaca a relevância desses locais para a preservação da memória da população negra e sua contribuição vital para a formação da história e cultura brasileiras.

Com a adição desses três importantes espaços, o Brasil agora conta com seis representações na iniciativa, que foi criada em 2024 com o intuito de promover a conservação de locais associados à escravidão, ao tráfico de pessoas escravizadas e às diversas formas de resistência ao sistema escravista.

Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, essa conquista ressalta a urgência de preservar a memória afro-brasileira e garantir que as histórias de luta e resistência da população negra sejam transmitidas às futuras gerações.

“Preservar a memória do povo negro é reconhecer a força de quem ajudou a construir a identidade cultural do nosso país. Esses espaços carregam histórias de dor, mas também de coragem, resistência e transformação.

O reconhecimento da Unesco reafirma que a nossa ancestralidade precisa ser valorizada, respeitada e transmitida. Cuidar desse patrimônio é, na prática, um ato de enfrentar o racismo, combater o apagamento histórico e assegurar que a cultura afro-brasileira receba o reconhecimento que merece na história do Brasil”, enfatiza.

• Territórios de memória e resistência

Localizado na região portuária do Rio de Janeiro, o Cais do Valongo se destaca como um dos mais importantes testemunhos materiais do tráfico transatlântico de africanos escravizados.

Construído em 1811, esse espaço recebeu centenas de milhares de pessoas trazidas à força do continente africano. Os vestígios arqueológicos do local foram identificados em 2011, e em 2017, o sítio foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco.

Além disso, em setembro de 2025, o Cais do Valongo também recebeu o reconhecimento de patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro pela Lei nº 15.203, que estabelece diretrizes para sua proteção e preservação. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da Cultura (MinC), participa ativamente das ações de conservação e gestão compartilhada desse sítio arqueológico.

Na Bahia, a Sociedade Protetora dos Desvalidos é um símbolo da trajetória de organização e solidariedade da população negra.

Fundada no século XIX em Salvador, a instituição surgiu como um espaço de apoio mútuo e proteção social. Ela se tornou uma referência histórica das estratégias de resistência e fortalecimento comunitário, especialmente diante das desigualdades geradas pela escravidão e seus desdobramentos.

Por fim, a Serra da Barriga, em União dos Palmares, também desempenha um papel crucial nesse contexto, representando a luta e a resistência ao longo da história brasileira.

Atualizado há 1 hora

A candidatura com o pedido de inclusão na Rede foi apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), que indicou o Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro, por ser um local de preservação de vestígios de um dos principais pontos nas Américas para desembarque de africanas e africanos escravizados. A Serra da Barriga é onde está localizado o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares, Alagoas. O local guarda a memória do Quilombo dos Palmares, mais um lugar de resistência à escravidão no Brasil. Desde 1988 é uma região que faz parte da União.

A intenção da Unesco ao criar a Rede foi promover a preservação dos lugares relacionados à história da escravidão e do tráfico de pessoas escravizadas. Com a participação das comunidades locais, tem ainda a função de intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de iniciativas educativas.

Para a diretora e Representante da Unesco no Brasil, mais do que reconhecer o passado, a iniciativa procura contribuir para que essa memória seja transmitida às novas gerações e ajude a compreender os efeitos duradouros da escravidão, inclusive o racismo estrutural e as desigualdades que persistem nas sociedades contemporâneas.

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