Unesco: 189 jornalistas mortos em 2024 e 2025, maior número desde 2015

Relatório da Unesco destaca o aumento alarmante de mortes de jornalistas, com 67% ocorrendo em zonas de conflito e novas preocupações sobre a segurança da imprensa.

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Um levantamento recente, divulgado nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), revela que 189 jornalistas perderam a vida em todo o mundo durante os anos de 2024 e 2025. Esse número alarmante marca o maior registro de mortes desde o biênio de 2014/2015, quando 215 casos foram contabilizados.

O Relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade indica que a maioria das fatalidades – 127, ou 67% do total – ocorreu em países que enfrentam conflitos armados. Em comparação com o biênio anterior, houve um aumento de 24% nesse tipo de tragédia.

Entre os casos documentados, cinquenta jornalistas foram mortos em ataques realizados por drones. Além disso, houve registros de ataques a escritórios de veículos de imprensa e outras instalações que abrigavam jornalistas, resultando em pelo menos 36 mortes. Um caso chocante envolveu a perda de nove profissionais de uma só vez em um ataque.

O levantamento também aponta que, em pelo menos 15 das fatalidades, os jornalistas foram alvejados mesmo utilizando coletes identificados com a palavra “imprensa” ou dirigindo veículos claramente marcados como de jornalistas. Esse dado é especialmente preocupante, pois sugere uma clara intenção de silenciar esses profissionais.

No que diz respeito às mortes ocorridas fora de zonas de conflito, o biênio de 2024/2025 registrou 62 casos, o número mais baixo em 18 anos. Dentre esses, 17 jornalistas foram assassinados em seus escritórios, 33 em seus veículos e 20 em suas próprias casas, alguns acompanhados por membros de suas famílias. Além disso, quatro perderam a vida em ataques terroristas, e sete durante manifestações, seja por ações de manifestantes ou de forças policiais.

O contexto das mortes é igualmente preocupante. Das 189 fatalidades, 104 ocorreram enquanto os jornalistas cobriam conflitos armados. Também foram registradas 38 mortes de profissionais que reportavam sobre política, 22 que investigavam atividades criminosas e outras que noticiavam sobre corrupção. Sylvie Couldray, diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia e Alfabetização Midiática e Informacional da Unesco, destaca que "isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra".

Dentre as vítimas, cinco tinham entre 15 e 24 anos, enquanto 20 estavam na faixa etária de 25 a 29 anos. Além disso, 14 mulheres foram mortas, representando apenas 7% do total, o menor percentual desde 2012/2013, com 13 dessas jornalistas perdendo a vida em zonas de conflito.

Destaca-se também que a Palestina, que tem enfrentado ataques de forças israelenses desde 2023, foi o local com o maior número de mortes de jornalistas, totalizando 62, o que equivale a um terço do total registrado no biênio.

No Brasil, houve apenas uma morte registrada: Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, foi assassinado dentro do estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no nordeste do Pará, em maio de 2025. A Polícia Civil do Pará informou que o inquérito foi concluído e enviado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.

Desde 2006, a Unesco relata que 1.641 jornalistas foram assassinados em todo o mundo, mas apenas 223 desses casos foram solucionados pelo sistema judicial. Isso nos leva a refletir sobre a necessidade urgente de proteção e justiça para aqueles que se arriscam para trazer à luz a verdade.

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