Um quarto da população da UE enfrenta práticas de conversão
De acordo com um relatório da OCDE, a UE perde anualmente 89 milhões de euros em termos de PIB devido à discriminação com base na orientação sexual. Conselho da Europa quer proibi-las.

De acordo com o último relatório da ILGA Europa, um dado alarmante surge: cerca de um quarto da população da União Europeia já enfrentou algum tipo de prática de conversão. Os dados revelam que os entrevistados na Grécia se destacam como os mais afetados, com 38% afirmando ter sido vítimas. Em contraste, os franceses, italianos e holandeses reportaram os índices mais baixos, com apenas 18%. Essas práticas de conversão, muitas vezes referidas como terapia de conversão, fazem promessas infundadas de que é possível mudar a orientação sexual ou a identidade de gênero de uma pessoa. No entanto, é amplamente reconhecido que essas abordagens são prejudiciais, ineficazes e carecem de base científica. Elas podem se manifestar de várias maneiras, desde intervenções familiares e rituais religiosos até aconselhamento, tratamentos psiquiátricos, medicação, e até mesmo violência física e sexual, abuso verbal e humilhação. O relatório da ILGA Europa destaca que indivíduos trans, não binários e intersexuais foram desproporcionalmente afetados em comparação com os entrevistados cisgêneros. Este estudo é o primeiro da nova série chamada 'Intersections reports' e se fundamenta em dados coletados pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), que faz parte do seu Inquérito LGBTIQ III de 2023. Uma preocupação adicional é que quase todos os entrevistados que sofreram práticas de conversão sob a forma de abuso físico, sexual ou verbal relataram evitar certos lugares por medo de agressões, ameaças ou assédio por serem parte da comunidade LGBTQ+. Além disso, fatores como idade e condições financeiras podem influenciar a probabilidade de alguém concordar com a terapia de conversão e as circunstâncias envolvidas. O relatório revela que mais de um quarto dos homens trans entrevistados, que enfrentam dificuldades financeiras, já consentiram em práticas de conversão devido a pressões ou ameaças. Curiosamente, 22% das mulheres trans na faixa etária de 40 a 54 anos também deram, em algum momento, seu consentimento a essas práticas. A gravidade da situação é ainda mais evidente quando olhamos para um relatório da OCDE, que aponta que a União Europeia perde até 89 milhões de euros do PIB anualmente devido à discriminação baseada na orientação sexual. Essa perda é atribuída a uma diminuição da produtividade no trabalho, salários mais baixos e barreiras ao emprego. Apesar desse cenário desalentador, há indícios de um movimento mais amplo na Europa para combater a discriminação e as práticas de conversão. No final de janeiro, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, que atua como órgão de vigilância dos direitos humanos no continente, aprovou uma resolução instando os países a proibirem essas práticas. A resolução sugere que essas práticas sejam claramente definidas na legislação nacional e sujeitas a sanções penais, além de propor a criação de mecanismos de controle e informação. Também foram incluídas medidas para apoiar e proteger as vítimas, avaliar a legislação existente e incentivar pesquisas sobre a prevalência e o impacto das práticas de conversão. Essas iniciativas são um passo importante, pois reconhecem a gravidade da situação e buscam promover um ambiente mais seguro e respeitoso para todos.


