UE Impõe Sanções a Colonos Israelitas Após Apoio da Hungria
A decisão da União Europeia reflete a crescente pressão internacional sobre a violência contra palestinianos na Cisjordânia, com apoio do novo governo húngaro.
Na segunda-feira, a União Europeia decidiu sancionar colonos israelitas em resposta à violência que têm exercido contra os palestinianos na Cisjordânia. Essa decisão foi bem recebida pelo novo governo húngaro. "Hoje, conseguimos um entendimento político para sancionar tanto os colonos quanto as entidades extremistas de Israel", afirmou Kaja Kallas, a principal diplomata da UE, durante uma coletiva após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas. Ela destacou que esse acordo marca o fim de um impasse que já perdurava há bastante tempo, enfatizando que "a violência e o extremismo têm consequências".
As sanções, que incluem o congelamento de bens e restrições de viagem, também vão atingir membros do Hamas, uma exigência de alguns países para que apoiassem essas medidas.
O contexto para essa decisão é alarmante: o porta-voz da ONU para os Direitos Humanos, Thameen Al-Kheetan, já havia alertado sobre a "expansão ilegal dos colonatos" de Israel e a "anexação de grandes partes da Cisjordânia ocupada". Esses novos passos da UE vêm na esteira de dois meses de violência contínua contra os palestinianos na região.
Vale lembrar que a União Europeia já havia imposto sanções a colonos violentos no passado. Em 2024, o bloco sancionou cinco indivíduos e três entidades por "violações graves e sistemáticas dos direitos humanos contra os palestinianos na Cisjordânia". O movimento mais recente para novas sanções havia encontrado resistência no governo do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, mas o novo líder, Péter Magyar, sinalizou disposição em apoiar esses pacotes de sanções.
De acordo com o direito internacional, todos os colonatos são considerados ilegais, com o Tribunal Internacional de Justiça afirmando que a "presença contínua do Estado de Israel no Território Palestiniano Ocupado" é "ilegal". Recentemente, Israel tem implementado medidas que reforçam seu controle sobre a área, as quais parecem desrespeitar os acordos de paz de Oslo.
Junto às sanções, a UE está considerando outras alternativas para responder a Israel, incluindo a possibilidade de proibir o comércio de produtos provenientes dos colonatos. Contudo, a adoção de muitas dessas medidas pode ser complicada, pois requer um consenso unânime entre os Estados-Membros da UE.
Sancionar os colonos violentos é, na prática, um passo modesto em comparação com os apelos de vários países europeus que pedem um corte mais drástico nas relações econômicas com Israel, devido a supostos crimes de guerra. Em resposta a essa aprovação das sanções, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa'ar, criticou a decisão, considerando "arbitrário" sancionar cidadãos israelitas com base em suas opiniões políticas.


