UE Considera Novo Acordo Comercial Abrangente com a China

Eurodeputados buscam renegociar termos comerciais para melhorar relações com Pequim e abordar desequilíbrios significativos.

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A União Europeia (UE) está explorando a possibilidade de um acordo comercial mais abrangente com a China, que inclua aspectos de investimento, em vez de continuar com negociações setoriais isoladas. Essa declaração foi feita nesta quarta-feira por um alto representante do Parlamento Europeu, Bernd Lange, que preside a Comissão do Comércio Internacional. Lange fez esse apelo antes de uma visita a Pequim programada para a próxima semana, onde 12 eurodeputados estarão presentes. Esse movimento ocorre em um momento crucial, pois Bruxelas e a China tentam diminuir as tensões comerciais crescentes.

Recentemente, as duas partes chegaram a um entendimento sobre a questão dos automóveis híbridos, em 9 de outubro, mas a UE considera que isso não é suficiente para resolver um desequilíbrio comercial significativo, que resulta em um déficit de cerca de mil milhões de euros por dia nas trocas com a China.

Vale lembrar que Bruxelas e Pequim já tinham tentado negociar um Acordo Global de Investimento, mas a ratificação foi congelada pelo Parlamento Europeu em 2021, após a China impor sanções como retaliação às ações da UE relacionadas a violações de direitos humanos.

Lange enfatizou a necessidade de um acordo mais abrangente, afirmando que "negociar indefinidamente não faz sentido". Ele também sugeriu que as discussões devem incluir o tema do investimento. Quanto ao acordo de investimento anterior, Lange indicou que "talvez seja útil reavaliá-lo, especialmente no que diz respeito ao investimento".

No início deste mês, a Comissão Europeia anunciou que a China concordou em reduzir pela metade suas exportações de automóveis híbridos para a UE nos próximos quatro anos. Com base nesse acordo, a UE implementará quotas específicas por país, permitindo a entrada anual de 350 mil automóveis híbridos chineses no mercado europeu, com uma taxa fixa de ajuste anual de 6%.

Esse acordo foi apresentado pela Comissão como uma "primeira fase" das negociações, que continuarão em nível técnico até as próximas conversas políticas, agendadas para março de 2027.

Por outro lado, o eurodeputado liberal francês Pascal Canfin, que acompanhará Lange na viagem, alertou que a UE deve ampliar seu foco além das indústrias individuais. Ele defendeu que as negociações da Comissão em nome dos 27 Estados-membros precisam abordar práticas comerciais desleais em um contexto mais amplo, uma vez que essas práticas podem ameaçar os fabricantes europeus em diversos setores.

"Estamos abertos para negociações setoriais, mas também precisamos considerar questões que não afetam apenas um único setor", disse Canfin. "Há um risco de práticas horizontais desleais que podem causar danos consideráveis às nossas indústrias."

Durante a visita à China, que ocorrerá de 27 a 29 de outubro, os eurodeputados se reunirão com representantes do Ministério do Comércio chinês e da Assembleia Popular Nacional. Além disso, haverá encontros com representantes de empresas de alta tecnologia em Hangzhou. Lange também destacou outros temas que deveriam ser abordados em um futuro acordo com Pequim, incluindo as restrições que a China impõe às suas exportações.

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