
UE Avalia Sanções Contra Patriarca Cirilo da Rússia
A União Europeia reconsidera sanções ao Patriarca Cirilo, mas foco permanece em indivíduos do complexo militar russo, com prazos apertados para decisões.
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A União Europeia decidiu, por enquanto, não avançar com sanções contra o Patriarca Cirilo, líder da Igreja Ortodoxa Russa, mesmo com a nova disposição do governo húngaro em reconsiderar sua oposição histórica. Cirilo é uma figura que gera muitas controvérsias; sua influência, tanto religiosa quanto política, tem sido alvo de críticas por supostamente espalhar propaganda revisionista que justifica a guerra na Ucrânia. Sob sua liderança, a Igreja Ortodoxa Russa chegou a aprovar um documento que pedia a aniquilação da independência da Ucrânia, descrevendo a invasão russa como uma 'guerra santa'.
Entretanto, seu nome não deve ser incluído no 'mini-pacote' de sanções que está sendo elaborado em Bruxelas. De acordo com os diplomatas, esse pacote é relativamente restrito e foca em indivíduos ligados ao complexo militar-industrial de Moscovo.
Na última sexta-feira, os embaixadores realizaram a primeira rodada de discussões sobre o assunto. A inclusão de Cirilo na lista poderia gerar demasiada atenção, o que, por sua vez, poderia atrasar a aprovação do 'mini-pacote'. E Bruxelas tem pressa de vê-lo aprovado sem grandes obstáculos até a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, marcada para 15 de junho.
Agora, as atenções se voltam para o 21.º pacote de sanções, que promete ser bem mais abrangente e exigirá um tempo maior para negociações. Este novo conjunto de medidas, ainda em fase inicial, deve ser apresentado no próximo mês, com a expectativa de ser aprovado em julho.
Vale lembrar que a UE tentou, pela primeira vez, incluir Cirilo na lista negra em 2022. Naquela ocasião, a Hungria, sob a liderança do primeiro-ministro Viktor Orbán, bloqueou a proposta, argumentando que se tratava de uma questão de liberdade religiosa.
Após sofrer uma pesada derrota em abril, Orbán foi sucedido por Péter Magyar, que chegou ao poder prometendo restaurar as relações entre Budapeste e Bruxelas. Magyar está determinado a se distanciar do uso do poder de veto pelo governo anterior.
"Sanções que comprometam a estabilidade económica da Hungria são absolutamente inaceitáveis", declarou à Euronews no início desta semana Márton Hajdu, um aliado próximo de Magyar e presidente da comissão de Negócios Estrangeiros do parlamento húngaro. "Entretanto, espero que o novo governo não bloqueie os esforços conjuntos da UE para aumentar a pressão sobre a Rússia e acabar com esta guerra, especialmente nos casos em que o governo anterior usou o poder do Estado húngaro para fechar acordos particulares." Apesar do novo cenário criado pela Hungria, ainda não está claro se desta vez haverá consenso para sancionar Cirilo.