Ucrânia Sanções Lukashenko: Consequências da Agressão Russa
Em 2022, Moscovo utilizou a Bielorrússia como plataforma de lançamento para o seu ataque e, desde então, tem tentado arrastar Minsk para a sua guerra.
A Ucrânia decidiu impor sanções contra o presidente da Bielorrússia, Aliaksandr Lukashenka. A notícia foi divulgada por Volodymyr Zelenskyy na última quarta-feira, quando ele destacou que Kiev pretende "intensificar significativamente as contra-medidas contra todas as formas de ajuda que resultam na morte de ucranianos". Zelenskyy explicou que essas novas sanções são um reflexo do crescente envolvimento de Lukashenka na guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia.
Na prática, durante a segunda metade de 2025, a Rússia instalou na Bielorrússia um sistema de estações de retransmissão, o que permitiu um controle mais eficaz sobre drones de ataque. Isso, de acordo com Zelenskyy, aumentou a capacidade do exército russo de realizar ataques nas regiões do norte da Ucrânia, abrangendo desde a área de Kiev até Volyn.
Ele enfatizou que esse desenvolvimento teve um impacto significativo na intensificação dos ataques aéreos russos. "Sem a ajuda da Bielorrússia, os russos não teriam conseguido realizar alguns ataques, especialmente contra nossas instalações de energia e ferrovias", acrescentou.
A líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, comentou sobre a decisão de Kiev, afirmando que é "um princípio e um momento oportuno", e expressou sua gratidão a Zelenskyy por sancionar Lukashenka. Para ela, Lukashenka não possui legitimidade, tendo chegado ao poder e se mantido nele apenas por meio da repressão e do apoio de Moscovo. "Hoje, ele apoia ativamente a guerra da Rússia contra a Ucrânia, fornecendo território, infraestrutura e até mesmo apoio a sistemas de mísseis e drones", disse Tsikhanouskaya.
Ela também ressaltou que essas sanções são direcionadas a um ditador que transformou a Bielorrússia em uma plataforma militar para a agressão russa. "Essa é uma mensagem clara para aqueles que o cercam: a cumplicidade traz consequências. A impunidade só alimenta os ditadores. A responsabilização, por outro lado, fortalece a segurança na região", afirmou.
Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o território bielorrusso tem sido utilizado de várias formas. No entanto, apesar das tentativas de Moscovo para envolver Minsk de maneira total na guerra, a Bielorrússia não se comprometeu completamente. Zelenskyy observou que a situação tem mudado significativamente, com mais de 3.000 empresas bielorrussas fornecendo à Rússia máquinas e componentes vitais, incluindo aqueles usados na produção de mísseis que são lançados diariamente contra a Ucrânia.
Além disso, ele mencionou que estão sendo desenvolvidas infraestruturas para a instalação de mísseis de alcance intermédio no território bielorrusso, o que representa uma ameaça não apenas para os ucranianos, mas para toda a Europa. Tsikhanouskaya reiterou à Euronews que isso indica uma mudança na política da Ucrânia em relação à Bielorrússia. "A Ucrânia não reconhece Lukashenka como presidente e está colaborando com as forças democráticas, vendo-o como uma ameaça", concluiu.