Ucrânia: Evacuação de Civis em Oleshky Avança com Acordo entre Kiev e Moscovo
Acordo entre autoridades ucranianas e russas busca evacuar civis de Oleshky, onde a crise humanitária se agrava a cada dia.
As autoridades ucranianas estão se empenhando intensamente para evacuar os moradores que ainda permanecem na cidade de Oleshky, localizada na região de Kherson, sob ocupação russa. Essa informação foi compartilhada por Dmytro Lubinets, Provedor de Direitos Humanos da Verkhovna Rada da Ucrânia.
Ele comentou que estão finalizando os últimos detalhes para garantir um cessar-fogo, permitindo que todos aqueles que desejam sair possam fazê-lo. O plano é evacuar não apenas os habitantes de Oleshky, mas também de outras seis localidades próximas, levando-os diretamente para áreas sob controle do governo ucraniano. Estima-se que cerca de seis mil civis ainda vivam na região, incluindo aproximadamente 200 crianças, com até duas mil delas morando apenas em Oleshky.
As negociações para essa evacuação acontecem diariamente, mas, segundo as autoridades, ainda existem alguns obstáculos a serem superados.
Situação Humanitária Crítica
O quadro humanitário em Oleshky, que foi ocupada pelas forças russas logo no início da invasão em larga escala da Ucrânia, se agravou de maneira alarmante nas últimas semanas, segundo relatos de autoridades locais e organizações internacionais. Na cidade, a situação é crítica: não há eletricidade, aquecimento ou abastecimento de água, e as tentativas de saída representam um grande risco devido a estradas minadas e a ataques de drones.A Guarda Nacional da Ucrânia tem realizado diversas operações para levar ajuda humanitária até Oleshky. Em outubro, por meio de drones, entregaram cerca de quatro toneladas de suprimentos aos residentes da cidade.
Entretanto, a administração regional de Kherson informa que as autoridades russas estão dificultando a entrega dessa ajuda, abatendo drones que transportam alimentos, confiscando e revendendo mantimentos, além de deter moradores que recebem pacotes humanitários.
Apelo Internacional
Tatyana Gasanenko, chefe da administração militar de Oleshky, afirmou em uma entrevista à Euronews que, após mais de quatro anos sob ocupação russa, a cidade se encontra em ruínas, e a situação dos que ali permanecem é cada vez mais desesperadora.No final de setembro, o Conselho da Europa destacou a situação, enfatizando que o rápido agravamento da crise humanitária em Oleshky exige atenção e ações imediatas. Michael O’Flaherty, comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, declarou que, segundo o direito internacional humanitário, a Rússia, como potência ocupante, tem a obrigação de garantir à população o acesso a alimentos e medicamentos, além de facilitar a ajuda humanitária.
Hoje, 20 de outubro, a vice-presidente do Parlamento Europeu, Pina Picierno, anunciou que iniciará uma greve de fome para "chamar a atenção internacional" sobre a situação em Oleshky. Ela expressou que "milhares de pessoas estão encurraladas em território ocupado pelo exército russo, sem acesso regular a alimentos e medicamentos. As áreas minadas tornam a saída extremamente perigosa: quem fica arrisca-se a morrer de fome, enquanto quem tenta partir coloca a vida em risco".