Ucrânia e UE: Adesão Imediata Não é Viável, Afirma Merz
Chanceler alemão sugere participação da Ucrânia em reuniões da UE, mas descarta adesão rápida. Entenda os próximos passos no processo de integração.

Na sexta-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz, do CDU, deixou claro que a "admissão imediata" da Ucrânia na União Europeia não é uma possibilidade viável no momento. No entanto, ele apresentou uma ideia interessante: permitir que Kiev participe de futuras reuniões dos Estados-membros, mas sem direito a voto. Essa informação foi divulgada pela agência de notícias Agence France-Presse (AFP).
“É evidente para todos que a adesão imediata da Ucrânia à UE não é atualmente possível”, afirmou Merz após a cúpula informal da UE realizada em Chipre, onde também esteve presente o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.
Pensando em um futuro de adesão, Merz sugeriu uma "estratégia de pré-adesão", que incluiria etapas intermediárias. Nesse cenário, os países dos Balcãs Ocidentais também precisariam receber um impulso maior em seus próprios processos de adesão à UE.
Pouco antes disso, Zelenskyy havia rejeitado a ideia de uma adesão parcial para a Ucrânia. “A Ucrânia está se defendendo e, ao mesmo tempo, defendendo a Europa. Não se trata apenas de um apoio simbólico - há vidas em jogo”, comentou Zelenskyy em um grupo de WhatsApp com jornalistas.
“A Ucrânia não precisa de uma adesão simbólica à UE”, continuou ele, enfatizando a importância de um apoio mais robusto. Ao mesmo tempo, admitiu que já estão em andamento conversas em “vários níveis” sobre possíveis formatos para a adesão da Ucrânia à União Europeia.
A semana passada foi marcada por avanços significativos no apoio da UE à Ucrânia. Na quinta-feira, a União Europeia aprovou um empréstimo de 90 bilhões de euros para o país, após a Hungria ter retirado seu veto. A Comissão Europeia, que está gerenciando esse programa, afirmou que o primeiro pagamento a Kiev deve ser feito “o mais rápido possível”, assim que todas as condições legais e técnicas forem atendidas. Os fundos já estão disponíveis.
Além disso, a UE concordou em implementar uma nova rodada de sanções contra a Rússia. A Hungria e a Eslováquia já haviam retirado seus vetos relacionados a um litígio sobre o oleoduto Druzhba, que, por sua vez, já foi reparado.
Em declarações à Euronews durante a cúpula de Chipre, o primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, mencionou que poderia haver uma oportunidade para um "novo começo" no processo de adesão da Ucrânia à UE. Contudo, vários líderes da UE expressaram, repetidamente, seu ceticismo em relação ao que muitos chamam de um processo "acelerado" e alertaram sobre os riscos de atalhos nesse caminho.
Atualizado há 3 horas
O chanceler alemão Friedrich Merz sugeriu que o caminho da Ucrânia para a adesão à União Europeia poderia envolver concessões territoriais e que ambas as questões poderiam, em última análise, ser decididas em referendos paralelos. Cerca de 20% do território ucraniano está atualmente sob ocupação russa.
"A dada altura, a Ucrânia assinará um acordo de cessar-fogo. Depois, espera-se, um tratado de paz com a Rússia. Nessa altura, é possível que parte do território ucraniano deixe de ser ucraniano", disse Merz, falando a estudantes na Renânia do Norte-Vestefália, segundo a Reuters.
Zelenskyy promoveu janeiro de 2027 como uma data possível para a adesão da Ucrânia ao bloco. O calendário tem sido discutido no contexto das conversações de paz entre a Ucrânia e a Rússia, mediada pelos EUA, em que as questões territoriais continuam a ser o principal ponto de discórdia.
Na segunda-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz considerou irrealistas as datas de 2027 e 2028 para a adesão da Ucrânia à União Europeia, afirmando que a adesão não será possível enquanto o país continuar em guerra com a Rússia.
No final da cimeira informal, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, elogiaram os esforços de reforma da Ucrânia, mas advertiram contra a fixação de prazos artificiais.
Atualizado há 9 horas
O chanceler alemão Friedrich Merz sugeriu que o caminho da Ucrânia para a adesão à União Europeia poderia envolver concessões territoriais, uma questão que poderia ser decidida por referendos paralelos. Cerca de 20% do território ucraniano está atualmente sob ocupação russa. "A dada altura, a Ucrânia assinará um acordo de cessar-fogo. Depois, espera-se, um tratado de paz com a Rússia. Nessa altura, é possível que parte do território ucraniano deixe de ser ucraniano", disse Merz, falando a estudantes na Renânia do Norte-Vestefália, segundo a Reuters. Se o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, quiser obter o apoio da opinião pública para um tal acordo, terá de realizar um referendo. "Depois, tem de dizer ao povo: 'Abri-vos o caminho para a Europa'", disse Merz. Moscovo está a pressionar Kiev para que ceda as partes restantes da região do Donbas que não controla e a pressionar Washington para que reconheça os territórios ocupados pela Rússia como russos de facto. Zelenskyy rejeita ambas as propostas, argumentando que recompensar a agressão seria contrário ao direito internacional e abriria um precedente perigoso. Na segunda-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz considerou irrealistas as datas de 2027 e 2028 para a adesão da Ucrânia à União Europeia, afirmando que a adesão não será possível enquanto o país continuar em guerra com a Rússia.