Tubarões Ajudam a Melhorar Previsões de Furacões em 2026
Pesquisadores utilizam tubarões como sensores móveis para coletar dados oceânicos cruciais para prever furacões na costa leste dos EUA.

Do tubarão aterrorizante do filme "Tubarão" aos predadores que desafiam tornados na série "Sharknado", o cinema tem uma longa história de retratar esses animais como ícones do medo, especialmente durante o verão. No entanto, quando um tubarão cruza as águas da costa leste dos Estados Unidos, ele pode estar fazendo bem mais do que apenas caçar. Esses animais estão se tornando essenciais para a coleta de dados cruciais que ajudam a entender o potencial de um furacão antes que ele chegue à costa.
Pesquisadores da Universidade de Delaware estão explorando a possibilidade de usar tubarões como verdadeiros "observadores móveis" de dados oceânicos, quase em tempo real. Equipados com pequenos sensores, esses tubarões medem as condições do oceano, contribuindo para modelos oceanográficos, atmosféricos e climáticos. Os dispositivos eletrônicos, conhecidos como etiquetas, são capazes de medir a condutividade elétrica do oceano — um indicador estreitamente ligado à salinidade — além da temperatura e profundidade, enquanto as criaturas marinhas nadam e mergulham.
“Os sensores acoplados a animais têm sido utilizados com sucesso por oceanógrafos ao longo dos anos, especialmente em elefantes-marinhos nas regiões polares”, explica Aaron Carlisle, pesquisador principal e professor da Escola de Ciências Marinhas e Políticas da universidade. Os tubarões, por sua vez, oferecem uma nova chance para esse tipo de pesquisa, já que são abundantes, estão amplamente distribuídos e são mais fáceis de acessar do que muitos mamíferos marinhos que estão sob proteção.
Até o momento, a marcação de tubarões focava principalmente em rastrear seus deslocamentos e os habitats que frequentam. Mas agora, os pesquisadores da Universidade de Delaware estão selecionando tubarões que podem coletar medições mais relevantes para o estudo de furacões. Eles priorizam espécies que emergem à superfície com frequência, permitindo que as informações sejam transmitidas aos satélites.
“Estamos realmente mais interessados no calor presente na camada superior do oceano, que chamamos de camada mista”, afirma Carlisle. “Essa parte da coluna d’água é fundamental para determinar a intensidade dos furacões — uma camada mista mais quente significa furacões mais fortes — pois é nessa camada que se encontra o calor que alimenta esses fenômenos.” Assim, a pesquisa avança, mostrando como até mesmo os temidos tubarões podem desempenhar um papel vital na compreensão de eventos climáticos extremos.
