TSE Debate Uso de IA nas Eleições: Busca por Consenso

TSE Debate Uso de IA nas Eleições: Busca por Consenso

Reunião do TSE em 13 de agosto visa discutir implicações do uso de IA nas eleições, com foco em caso de deepfake envolvendo Flávio Bolsonaro.

•3 min de leitura•Fonte original

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, agendou uma reunião para a próxima quinta-feira, dia 13 de agosto de 2026, com os demais ministros da Corte. O objetivo é discutir como devem ser julgados os casos que envolvem o uso de Inteligência Artificial (IA) nas eleições deste ano.

Esse assunto será analisado a partir de um processo que está à espera de julgamento no TSE. O caso em questão diz respeito ao uso de imagens geradas por IA durante a convenção do PL, realizada no dia 25 de julho, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República.

A ação foi movida pelo PT, partido do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é candidato à reeleição. Antes de levar o tema à votação no plenário, Nunes Marques, que atua como relator do caso, procura um consenso entre os ministros do TSE.

À medida que as eleições de outubro se aproximam, o tribunal busca demonstrar uma unidade interna, o que reforça seus posicionamentos jurídicos. O encontro da próxima quinta-feira, que será fechado ao público, deve ocorrer logo após a sessão de julgamentos pela manhã.

O material questionado pelo PT inclui um vídeo produzido com uma técnica chamada deepfake, que dificulta a identificação, a olho nu, de que as imagens e os sons foram gerados artificialmente. Nesse vídeo, aparece uma versão digital do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, atualmente sob prisão domiciliar.

Logo no início do vídeo, a imagem de Bolsonaro faz um alerta: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”. Em seguida, a imagem sintética declara: “Estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz”.

O vídeo termina com a imagem pedindo que os presentes “recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro Presidente”.

Na ação, o PT argumenta que há uma referência direta ao cargo em disputa e um pedido explícito de voto por meio de material sintético, o que contraria as regras do TSE para o uso de IA nas eleições. Em defesa, os representantes da campanha de Flávio Bolsonaro negaram que o vídeo possa ser classificado como deepfake, afirmando que o público foi avisado de que se tratava de uma simulação.

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