TSE Bloqueia Jingle de Lula Associando Flávio a Rachadinha

Ministro Kassio Nunes Marques suspende jingle da campanha de Lula que liga Flávio Bolsonaro a suspeitas de corrupção e desinformação eleitoral.

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TSE Bloqueia Jingle de Lula Associando Flávio a Rachadinha
Reprodução Redes Sociais

27 de setembro de 2026, 09h18

Atualizado há cerca de duas horas

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, decidiu suspender, de forma liminar, a veiculação de um jingle da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa música publicitária associa o senador Flávio Bolsonaro (PL) a diversas suspeitas, incluindo o esquema de rachadinha, o caso do Banco Master e a aquisição de imóveis usando dinheiro em espécie.

O refrão do jingle repete: “Foi o Flávio Bolsonaro”, estabelecendo essa ligação com as alegações mencionadas. A propaganda foi veiculada sete vezes em inserções de rádio entre os dias 28 e 31 de agosto, em quatro emissoras diferentes.

Na sua decisão, Nunes Marques enfatiza que a desinformação eleitoral não se limita apenas à disseminação de informações falsas, mas também à distorção de fatos. Para o ministro, a peça publicitária pode induzir os eleitores a erro, ao apresentar denúncias e investigações sem esclarecer seu andamento ou conclusão.

O jingle menciona o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sugere que Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 61 milhões para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A campanha tem como foco atrair eleitores da direita, fortalecer alianças regionais e expandir sua presença em São Paulo e Minas Gerais antes do primeiro turno das eleições.

Pesquisas indicam uma distância curta entre os candidatos no primeiro turno e um empate nas simulações para o segundo; a reta final deve ser marcada por uma intensa disputa por eleitores da direita, controle do noticiário e mobilização das bases.

A peça publicitária também menciona uma homenagem feita pelo senador ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, apontado como miliciano, e afirma que o parlamentar recebeu depósitos em dinheiro por meio de uma loja de chocolates.

Além disso, há uma associação da família Bolsonaro com a compra de pelo menos 51 imóveis em dinheiro vivo, juntamente com referências ao esquema de rachadinha que envolve Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

A campanha do senador recorreu ao TSE, argumentando que a propaganda continha “conteúdo fabricado e manipulado”. Eles também destacaram supostas irregularidades na identificação da legenda responsável pela veiculação e dos candidatos beneficiados, o que, segundo a representação, poderia resultar em multas conforme uma resolução da Corte.

Essas declarações foram feitas durante um jantar em São Paulo, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com grandes empresários e executivos, um evento organizado por Esfera, Prerrogativas e Parlatório.

Ao analisar o caso, Nunes Marques observou que a propaganda utiliza o tempo presente para se referir a uma denúncia sobre rachadinha que já foi arquivada, sem esclarecer a origem ou o estágio da investigação da Polícia Federal sobre o suposto pagamento de Vorcaro.

O ministro também destacou que a peça não informa sobre o andamento das apurações relacionadas aos depósitos em espécie e à compra de imóveis com dinheiro vivo.

Para o presidente do TSE, a combinação entre o formato de fácil memorização do jingle e o contexto em que foi veiculado pode levar os eleitores a uma interpretação errônea da situação.

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Na decisão, o ministro argumentou que a propaganda apresenta os fatos de forma descontextualizada e pode induzir o eleitor a erro. "A disciplina normativa da propaganda eleitoral veda não apenas a divulgação de fatos integralmente falsos, mas também o uso de conteúdo descontextualizado apto a comprometer a correta compreensão da informação e a influenciar indevidamente o processo eleitoral", diz o ministro na decisão.

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