
Trump Chama Netanyahu de Louco em Ligação Tensa sobre Conflitos
Em recente entrevista, Trump confirmou ter chamado Netanyahu de 'louco' durante conversa sobre tensões no Líbano e a mediação dos EUA com o Irã.
Trump e Netanyahu na Casa Branca, em 2020 28/01/2020 REUTERS/Brendan McDermid
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WASHINGTON, 3 de junho de 2026 (Reuters) — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou ter chamado o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de "louco" durante uma ligação telefônica que estava longe de ser tranquila. O assunto da conversa? Os conflitos no Líbano, em um momento em que os EUA tentavam mediar o fim das hostilidades com o Irã.
Em uma entrevista que foi ao ar na quarta-feira, Trump foi questionado sobre se realmente havia se referido a Netanyahu de forma tão contundente, além de acusá-lo de ingratidão, algo que foi destacado em uma reportagem do site Axios. Sem hesitar, ele confirmou: “Sim, chamei”, declarou ao podcast “Pod Force One”. “Não diria que estava com raiva, mas confesso que estava um pouco incomodado com as incessantes brigas dele com o Líbano, sabe?”
Apesar das tensões, Trump enfatizou que ele e Netanyahu têm um bom relacionamento. Segundo a reportagem do Axios, que trouxe à tona informações de uma fonte anônima do governo dos EUA, Trump teria dito a Netanyahu durante a ligação na segunda-feira: “Você é um louco do c… Você estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando a sua pele. Todo mundo te odeia agora. Todo mundo odeia Israel por causa disso.”
Na entrevista, Trump ainda comentou: “Em certo ponto, eu disse: Bibi, temos que parar com isso. Precisamos realmente pôr um fim a essas brigas.” O Irã, por sua vez, deixou claro que não irá aceitar um acordo com os Estados Unidos para encerrar a guerra que começou no final de fevereiro, a menos que um cessar-fogo também inclua o Líbano. Este país foi invadido por Israel em março, numa operação contra o Hezbollah, que é alinhado ao Irã e realizou ataques transfronteiriços em apoio a Teerã.
As hostilidades persistem, mesmo com um acordo mediado pelos EUA, que foi anunciado na segunda-feira e resultou na diminuição dos ataques israelenses aos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah. Em contrapartida, o grupo apoiado pelo Irã prometeu interromper os ataques transfronteiriços. No entanto, ataques com drones israelenses ainda causaram a morte de pelo menos seis pessoas no sul do Líbano e atingiram um carro nas proximidades de Beirute na quarta-feira, conforme relataram fontes de segurança libanesas. Israel, por sua parte, declarou ter interceptado uma aeronave hostil, supostamente lançada pelo Hezbollah.
Por fim, Trump não escondeu sua irritação ao ser indagado se Netanyahu o havia "enganado" para que ele atacasse o Irã, afirmando que seus críticos eram, na verdade, “o inimigo”.
Atualizado há menos de 1 hora
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, falou, nesta quarta-feira (3), sobre a conversa por telefone com o presidente americano, Donald Trump, em que foi chamado de "louco" em razão dos ataques israelenses ao Hezbollah, no Líbano. Questionado sobre uma reportagem do site Axios que revelou o teor da conversa, confirmada posteriormente por Trump, Netanyahu se recusou a comentar detalhes da ligação, mas destacou que a relação com o presidente americano não mudou.
"Temos objetivos em comum. Às vezes temos, como nas melhores famílias, essas divergências táticas", disse Netanyahu em entrevista à emissora CNBC.
Após a ligação, Trump disse que Israel e Hezbollah concordaram em "cessar os disparos". Netanyahu cancelou a ofensiva anunciada contra Beirute, o que provocou críticas de aliados e adversários políticos em Israel. No entanto, os combates continuam no sul do Líbano.