Trabalhadores informais preocupados com aposentadoria, mas sem poupança
Pesquisa revela que 77% dos informais temem futuro financeiro, mas a maioria não contribui para o INSS, evidenciando uma crise de proteção previdenciária.
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14 de outubro de 2026 – 13h33 Atualizado em 14 de outubro de 2026 – 13h35
Um dado alarmante: 77% dos trabalhadores informais e 70% dos profissionais que atuam por meio de aplicativos expressam preocupação com a sua situação financeira na velhice. No entanto, a realidade é que a maioria deles enfrenta dificuldades em poupar regularmente ou em contribuir para o INSS. Para se ter uma ideia, entre os trabalhadores informais, 69% gostariam de guardar dinheiro, mas não o fazem na prática. Além disso, 59% não realizam contribuições para a Previdência Social. No caso dos trabalhadores de plataformas digitais, esses números são de 44% e 68%, respectivamente. Esses dados foram revelados em uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), em parceria com o Instituto Ibero-Brasileiro de Relacionamento com o Cliente (IBRC).
Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, destacou a gravidade da situação nesta quarta-feira (14), ao afirmar: “Temos um exército de invisíveis no país, sem proteção previdenciária. Se não fizermos nada, será o exército dos excluídos de amanhã.”
A pesquisa, que ouviu 2.809 pessoas entre julho e setembro de 2026, sendo 1.892 trabalhadores informais e 917 profissionais de plataformas digitais, revelou que impressionantes 97% dos entrevistados reconhecem a importância de formar uma reserva financeira para o futuro.
Mas por que essa preocupação não se traduz em poupança? A instabilidade dos rendimentos é um dos fatores principais. Entre os profissionais de aplicativos, 91% relatam dificuldades em assumir compromissos financeiros mensais de longo prazo, e 81% apontam a variação da renda como um verdadeiro obstáculo. Já entre os trabalhadores informais, 81% têm medo de perder o dinheiro que conseguirem investir, e 64% mencionam dificuldades em entender produtos financeiros e previdenciários.
E não é só isso. A falta de proteção se torna ainda mais crítica diante de imprevistos. Se adoecerem ou ficarem impossibilitados de trabalhar, 82% dos informais e 77% dos profissionais que atuam por meio de aplicativos acreditam que enfrentariam sérias dificuldades financeiras.
Diante desse cenário preocupante, Silva defende que mudanças no sistema são urgentes. A Abrapp está propondo a regulamentação das chamadas micropensões. Essa modalidade de previdência complementar permitiria contribuições flexíveis, ajustadas à capacidade financeira dos trabalhadores, sem que isso comprometa os direitos vinculados ao INSS. A proposta também inclui proteção por seguros e acesso a microcrédito.
Por fim, é importante lembrar que a informação é uma ferramenta poderosa. Portanto, considere incluir o jornal entre suas fontes preferidas.
