Tesouro IPCA+ 2050 atinge menor taxa desde maio em 2026
Taxas do Tesouro Direto caem com impacto de negociações internacionais e cenário eleitoral no Brasil.
29/09/2026 - 10h14
Atualização feita há cerca de 27 minutos.
Hoje, as taxas do Tesouro Direto estão em queda, especialmente os títulos de inflação com prazos mais longos. Esse movimento ocorre em um dia marcado por avanços nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã a respeito do Estreito de Ormuz.
O destaque do dia é o Tesouro IPCA+ 2050, que viu sua taxa cair de 7,13% para 7,03%, uma redução de 10 pontos-base. Outros títulos também registraram quedas: o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 caiu de 7,18% para 7,07%, enquanto o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 foi de 7,31% para 7,21%, ambos com uma queda de 11 pontos-base.
No caso dos títulos prefixados, a situação foi um pouco diferente, com movimentos mais moderados. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 14,10% para 14,02%. O Prefixado 2032 recuou de 14,15% para 14,08%, e o Prefixado 2029 viu sua taxa passar de 13,90% para 13,87%.
Por outro lado, os índices futuros estão operando de forma estável hoje, enquanto o mercado observa atentamente o desenrolar das conversas entre americanos e iranianos, especialmente após o governo dos Estados Unidos ter rejeitado a proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Essa situação fez o preço do petróleo disparar na véspera, e como resultado, o dólar comercial também abre em queda, devolvendo parte da alta significativa registrada ontem.
No cenário nacional, o mercado está absorvendo os dados mais recentes do setor de trabalho, que, segundo a PNAD, mostraram a taxa de desemprego ainda próxima da mínima histórica, fixando-se em 5,3%, um resultado esperado pelos analistas. “Esse dado deve reforçar a visão do Banco Central sobre uma atividade econômica que continua a desacelerar, mas com um mercado de trabalho ainda apertado, mesmo que tenhamos visto dados um pouco mais fracos recentemente”, comenta Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo. Leonardo Costa, economista do ASA, compartilha dessa visão: “Os números continuam a indicar uma desaceleração gradual da atividade, sem uma deterioração abrupta no mercado de trabalho.”
Em relação ao cenário eleitoral, uma nova rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revelou que Lula aparece com 45,3% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 42,2%, ambos apresentando uma leve queda em comparação à semana passada. No segundo turno, a situação muda: Flávio cresce dentro da margem de erro e supera Lula por 0,1%, configurando um novo empate técnico, similar ao visto na pesquisa anterior.
Confira as taxas do Tesouro Direto às 9h56 desta terça-feira (29):
Atualizado há menos de 1 hora
Mais cedo, o IBGE informou que o IPCA subiu 0,82% em setembro, revertendo a deflação de 0,32% registrada em agosto. Pesquisa da Reuters apontava alta de 0,73%. Em 12 meses, o índice chegou a 4,58%, também acima dos 4,50% projetados e do teto de 4,5% da meta de inflação.
A principal pressão veio da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 7,98% e respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual do índice, com o fim do efeito do bônus de Itaipu, que havia reduzido as faturas de agosto. Transportes (+0,89%) e Alimentação e bebidas (+0,83%) também pesaram, e os nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta.
Se o IPCA empurrava para cima, o alívio veio de outras frentes. No exterior, o petróleo recuava cerca de 1% depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país não atacará o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato. Aqui, o dólar comercial abriu em queda de 0,5%, a R$ 4,994.