Teatros da Amazônia em Manaus: Patrimônio Mundial da Unesco

Reconhecimento histórico dos Teatros da Amazônia reforça a importância cultural e a responsabilidade de preservação na região.

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RECONHECIMENTO

Foto: Mariana Alves/Iphan

Na noite de terça-feira, dia 3 de novembro de 2026, o Teatro Amazonas foi palco de uma celebração marcante: a entrega do certificado de Patrimônio Mundial da Unesco aos Teatros da Amazônia. O governador do Amazonas, Roberto Cidade, recebeu o certificado das mãos do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvsson Gusmão, e de Marlova Noleto, representante da Unesco no Brasil. A cerimônia, que foi aberta ao público, reconheceu a inscrição conjunta do Teatro Amazonas, em Manaus, e do Theatro da Paz, em Belém. Essa aprovação foi feita pelo Comitê do Patrimônio Mundial em 27 de julho, na Coreia do Sul.

O patrimônio reconhecido inclui não apenas o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, mas também o Theatro da Paz e a Praça da República, em Belém. Este é um momento histórico: estamos falando do primeiro Patrimônio Mundial cultural da Região Norte e do 26º sítio brasileiro na lista da Unesco. Vale ressaltar que os dois teatros estão sob a proteção do Iphan desde a década de 1960.

Título mundial traz reconhecimento e responsabilidades de preservação

Marlova Noleto, representante da Unesco no Brasil, enfatizou que esse título “é um ponto de partida”. Ela explicou que o reconhecimento não é apenas uma honra, mas também “o início de uma responsabilidade permanente de proteger, gerir e valorizar o patrimônio em benefício das comunidades que lhe dão sentido”.

Tatiana Carvalho, chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Instituto Guimarães Rosa e representante do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), também fez questão de lembrar que a candidatura foi apresentada em janeiro de 2025. Ela destacou que o dossiê que respaldou essa candidatura foi elaborado em oficinas que reuniram mais de 300 atores locais. Desde 2015, os teatros já figuravam na lista indicativa do Brasil. “O título de Patrimônio Mundial, além de celebrar, também traz responsabilidades”, afirmou.

Seguindo essa linha, Tatiana explicou que o Comitê fez cinco recomendações ao Brasil, relacionadas à gestão do sítio e à participação da sociedade civil, além de pesquisas históricas e antropológicas, com especial atenção para os povos indígenas e os migrantes nordestinos. O Itamaraty vai acompanhar de perto o cumprimento dessas recomendações em um plano internacional, trabalhando em conjunto com o Iphan, o Ministério da Cultura e os governos do Amazonas e do Pará.

Reconhecimento histórico para a região Norte

O presidente do Iphan ressaltou a importância dos teatros para a narrativa da região. “Os patrimônios são objetos biográficos. Eles ajudam a contar a história de um lugar e de um grupo social”, disse. Para ele, esses teatros são fundamentais para entender a formação social amazônica, que está intimamente ligada aos rios e aos ciclos econômicos, e evidenciam que a Amazônia, além de seu patrimônio natural, “também produz cultura”.

Beth Cantanhede, diretora do Teatro Amazonas, também fez uma observação importante sobre o papel das pessoas na preservação desse patrimônio. “O patrimônio só permanece verdadeiramente vivo quando é ocupado, reconhecido e valorizado pelas pessoas”, destacou.

Na cerimônia, estavam presentes ainda o prefeito de Manaus, Renato Júnior, e a superintendente do Iphan no Amazonas, Beat.

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