Taxas do Tesouro Direto em alta: recordes de 2026 e inflação em foco
As taxas do Tesouro Direto alcançam novos recordes em 2026, impulsionadas por temores inflacionários e ajustes nas previsões da Selic e do IPCA.
As taxas do Tesouro Direto começam a semana em alta significativa nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026. Os títulos de inflação, especialmente os de prazo mais longo, estão à frente nesse movimento. Isso acontece em meio à digestão dos temores inflacionários que surgiram após a divulgação do payroll americano na última sexta-feira. O Boletim Focus, que foi divulgado hoje, reforçou essa tendência ao elevar a estimativa da Selic para 13,5% ao ano em 2026 e ajustar a projeção do IPCA de 5,09% para 5,11%.
Diante desse cenário, as taxas atingem novas máximas para 2026, superando os patamares que haviam sido registrados na semana anterior. Um dos destaques do dia é o Tesouro IPCA+ 2050, que viu sua taxa saltar de 7,19% na sexta-feira para 7,32% hoje, marcando uma alta de 13 pontos-base. Outros títulos, como o IPCA+ 2060 com juros semestrais, também apresentaram crescimento, passando de 7,43% para 7,53%, enquanto o IPCA+ 2040 subiu de 7,54% para 7,64%, ambos com um aumento de 10 pontos-base. Já no segmento mais curto, o IPCA+ 2032 acelerou e ultrapassou os 8%, chegando a 8,28%.
Nos títulos prefixados, a variação foi mais moderada. Isso reflete uma pressão mais concentrada nas expectativas de inflação de longo prazo, ao invés do curto prazo. O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 14,69% na sexta para 14,72% hoje. O Prefixado 2032 teve um leve aumento, passando de 14,68% para 14,70%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,72% para 14,74%. Essa assimetria entre os títulos IPCA+ de longo prazo e a estabilidade dos prefixados sugere que o mercado está reconhecendo um risco inflacionário mais persistente. Esse sentimento é alimentado pela divulgação de um payroll forte nos EUA, pela pressão dos preços do petróleo devido à instabilidade no Oriente Médio e pela expectativa em relação ao IPCA, que será divulgado ainda esta semana.
“O IPCA no Brasil se torna um contraponto local importante. O mercado tem elevado suas projeções de inflação para 2026, o que indica que os juros internos continuarão pressionados, limitando qualquer possibilidade de alívio no curto prazo”, observa Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil. Contudo, há um sinal de alívio no horizonte: após intensos ataques mútuos entre Israel e Irã, que causaram agitação nos mercados e impactaram os preços do petróleo, o Irã anunciou uma pausa em suas ações. Essa notícia trouxe um alívio imediato para o dólar, que deve ser refletido na próxima atualização do Tesouro Direto.