Startups no Sudeste e o Crescimento em Novos Polos de Inovação
Estudo do Observatório Sebrae revela a liderança do Sudeste, mas destaca o crescimento de startups em novas regiões do Brasil, como Santa Catarina e Pernambuco.
Um estudo recente do Observatório Sebrae Startups confirma a histórica liderança do Sudeste, especialmente com São Paulo à frente, no ecossistema de inovação do Brasil. No entanto, o levantamento também destaca o crescimento constante de polos fora do eixo tradicional, com Santa Catarina se destacando, além de estados que desempenham papéis importantes no Nordeste, Centro-Oeste e Norte do país.
A análise foi realizada com base no perfil das mil startups selecionadas para a edição de 2025 do Prêmio Sebrae Startups. Esse estudo oferece um panorama abrangente sobre a maturidade do setor, a distribuição regional e as tendências tecnológicas que moldam a inovação brasileira atualmente. Os dados mostram que, além de contar com startups consolidadas e modelos de receita estáveis, o ecossistema nacional se caracteriza pela forte presença de empresas de software e B2B, uma crescente adoção de inteligência artificial e uma ênfase na escalabilidade.
Entretanto, também surgem desafios estruturais. A concentração de capital de risco e as lacunas de diversidade entre os fundadores são pontos críticos. Além disso, mais da metade das startups ainda cresce sem investimento privado, apesar do apetite significativo por recursos para expansão. No Sudeste, a região mantém sua posição como o principal polo de startups, com 423 das mil empresas selecionadas, o que representa 40,2% do total. São Paulo é o grande destaque, com 268 startups, seguido por Minas Gerais, que conta com 84 representantes.
Apesar do domínio do Sudeste, o relatório ressalta a performance notável da Região Sul, especialmente de Santa Catarina, que obteve o segundo lugar no ranking nacional, com 156 startups selecionadas. Além deste estado, o estudo enfoca a importância das 'âncoras regionais', como Pernambuco, que ocupa a 7ª posição no ranking geral e lidera no Nordeste; o Distrito Federal, em 8º lugar, representando o Centro-Oeste; e o Pará, em 17º lugar, liderando no Norte. Essas classificações são fundamentais para evidenciar a diversidade e a inovação em regiões menos tradicionais, contribuindo para uma diversificação tecnológica no país.
De acordo com o relatório, 81,3% das empresas estão em busca ativa de investimento, com foco na aceleração da expansão e na estruturação de processos comerciais e operacionais. Esse interesse por recursos é acompanhado por um aumento na preparação das startups, que, em muitos casos, já apresentam produtos validados e receitas previsíveis, com equipes totalmente dedicadas ao negócio.
Contudo, o levantamento revela que 56,4% das startups ainda não conseguiram captar qualquer tipo de capital de risco. A maioria desse grupo depende de recursos próprios (24,7%) ou de editais públicos de fomento (21,4%), refletindo uma prática de bootstrapping que, embora positiva em termos de resiliência, também revela um potencial represado para investidores. Por outro lado, as startups que já receberam aportes somam 23,6% do total, divididas entre investimentos anjo (14,3%) e rodadas seed/Series A (9,3%). Em termos de volume, 21,1% das startups conseguiram captar mais de R$ 500 mil em capital de risco, um sinal claro do interesse crescente e das oportunidades que ainda existem nesse setor dinâmico.