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Société Générale prevê aumento de juros pelo Fed em setembro
Banco francês ajusta previsões e antecipa alta de 0,25% nas taxas de juros, refletindo preocupações com a inflação nos EUA.
Reprodução Redes Sociais
28 de agosto de 2026, 13h58 (atualizado às 13h58)
Nesta sexta-feira, o banco francês Société Générale revisou suas previsões sobre a política monetária dos Estados Unidos. A expectativa agora é de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na próxima reunião do Federal Reserve (Fed), que acontecerá em setembro, seguido por mais um ajuste semelhante em dezembro e outro em março de 2027. Essa mudança no cenário foi impulsionada pelo primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do banco central americano, realizado no Simpósio Econômico de Jackson Hole, onde ele adotou um tom mais firme e expressou preocupação com a inflação persistente nos Estados Unidos.
"É evidente que o Fed está lidando com um problema inflacionário que se intensificou antes da guerra entre Irã e EUA e das elevações de tarifas de 2025", comentam os economistas do Société Générale, liderados por Jan Groen, em um relatório. Eles observam que, após o pico da inflação em 2022, o Fed começou a focar mais no mandato de emprego, resultando numa falsa impressão de que os problemas de estabilidade de preços estavam sob controle. Com os recentes choques de oferta — impulsionados pelas tarifas comerciais e pelo conflito no Oriente Médio — a inflação subjacente voltou a acelerar rapidamente a partir de um patamar já elevado, na visão do banco.
O Société Générale ressalta que a subida nos preços do petróleo, causada pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã, soou como um alerta para muitos dirigentes do Fed sobre os riscos de ignorar um desvio persistente da meta de inflação.
"Em um cenário onde choques inflacionários são cada vez mais frequentes, existe o risco de que uma sequência desses eventos desancore as expectativas de inflação, trazendo consequências negativas", acrescenta a equipe do banco. Ao mesmo tempo, eles notam que o mercado de trabalho americano tem mostrado sinais claros de estabilização e recuperação desde o final de 2025.
Com os últimos dados de inflação e a crescente preocupação dos dirigentes do Fed em relação ao avanço dos preços, a pressão no mercado de títulos sobre Warsh desde a reunião de julho e agora o reconhecimento da situação pelo próprio presidente do banco central, os economistas decidiram ajustar suas previsões para os juros.
"Esperamos que um ciclo de alta de juros comece na próxima reunião do Fed em setembro", afirmam os economistas liderados por Groen. Eles também preveem um aumento de 0,25 ponto percentual nas reuniões de dezembro deste ano e março de 2027, embora ressaltem que há um risco significativo de que esse último ajuste não ocorra.
"Essa expectativa parece realista, dado o quanto o Fed tem se mostrado cauteloso ao considerar uma postura monetária mais restritiva. Além disso, um aumento gradual oferece ao Fed a flexibilidade necessária para avaliar o impacto dessas elevações na atividade econômica."