Smart Sampa: Nova Vulnerabilidade Expondo 17 Mil Câmeras
Em um alarmante incidente de segurança, imagens de 17 mil câmeras do sistema Smart Sampa foram acessadas sem autorização, levantando preocupações sobre privacidade.

03/11/2026 10h44
Atualizado há cerca de 11 minutos
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O sistema de vigilância Smart Sampa, implementado pela Prefeitura de São Paulo, enfrenta uma nova vulnerabilidade que permitiu o acesso a imagens de cerca de 17 mil câmeras de empresas parceiras, e o mais preocupante: sem a necessidade de senha ou autorização. Essa falha foi revelada na manhã desta terça-feira (3) pelo UOL, apenas 13 dias depois que outra brecha havia dado acesso a mais de 58 mil câmeras que fazem parte do programa. É uma sequência alarmante de incidentes de segurança.
A vulnerabilidade afetou equipamentos conectados à infraestrutura da Monuv, uma empresa que fornece armazenamento em nuvem. Durante pelo menos cinco dias, a reportagem conseguiu ver transmissões ao vivo de várias áreas da capital paulista. Vale ressaltar que entre os locais acessados estavam ruas próximas às residências de figuras públicas, como os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso. Isso levanta questões sérias sobre privacidade e segurança.
Esses episódios ocorrem em um contexto mais amplo, especialmente após um ataque na França no mês passado. Naquele incidente, hackers conseguiram assumir o controle de unidades de refrigeração em diversos supermercados, uma demonstração preocupante das capacidades da cibercriminalidade.
Conforme relatado pelo UOL, a vulnerabilidade estava ligada ao código de um site vinculado à Sentinelx, a empresa responsável pela plataforma tecnológica do Smart Sampa. O acesso a informações nesse ambiente permitia localizar cadastros de empresas parceiras e links diretos para as transmissões, tudo isso sem necessidade de autenticação.
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Para validar o acesso em tempo real, jornalistas foram até o bairro dos Campos Elíseos e se posicionaram diante das câmeras, exibindo jornais do dia como prova. Essa ação trouxe à tona a seriedade da falha.
A brecha foi corrigida na última sexta-feira (30), após a reportagem ter questionado as empresas envolvidas. A situação levantou sérias dúvidas sobre a conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), um aspecto que não pode ser ignorado.
Em 20 de outubro, outra investigação do UOL já havia trazido à luz que 181 credenciais de acesso e dados de cerca de 6 mil agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ficaram expostos na internet por um período alarmante de aproximadamente 11 meses. Com essas informações, foi possível reproduzir o painel de monitoramento do Smart Sampa e acessar imagens de mais de 58 mil câmeras, incluindo aquelas localizadas em escolas e unidades de saúde.
Diante desse quadro, um guarda municipal suspeito de divulgar informações sigilosas foi afastado e agora está sob investigação da Corregedoria. Embora a Prefeitura tenha reconhecido a divulgação irregular das credenciais, negou que o sistema tenha sofrido uma invasão.
Sobre esse novo episódio, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou ao UOL que os endereços das câmeras não estavam disponíveis publicamente na internet. Continua depois da publicidade
A gestão também esclareceu que os links estavam contidos em uma planilha gerada durante uma análise de segurança realizada pela Prodam, e que essa informação foi repassada de forma ilegal à reportagem. Além disso, a administração afirmou que as câmeras de propriedade do município não estavam incluídas nesse material e que a responsabilidade pelos equipamentos das empresas conveniadas recai sobre seus operadores.
