Simpósio no Rio Discute o Futuro da Mídia Sonora no Brasil
Evento destaca a evolução do rádio e suas inovações, reunindo especialistas e representantes da radiodifusão pública em um importante debate.

Desde a última quarta-feira, dia 20, o Rio de Janeiro se tornou o ponto de encontro para pesquisadores, profissionais da mídia, estudantes de comunicação e representantes da radiodifusão pública brasileira. Eles estão reunidos no 7º Simpósio Nacional do Rádio, um evento que tem como tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”. O simpósio está sendo realizado no Palácio Gustavo Capanema, bem no coração da capital fluminense.
Esse evento, promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, busca provocar reflexões sobre as permanências e mudanças que o rádio enfrenta em meio às transformações tecnológicas, culturais e políticas que marcam a comunicação contemporânea.
Vale ressaltar que a abertura do simpósio aconteceu um dia após o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública, que também ocorreu no Rio e reuniu representantes de cerca de 330 emissoras, tanto públicas quanto privadas, de rádio e televisão. A EBC, com a Rádio Nacional sendo uma de suas marcas mais emblemáticas, desempenha hoje um papel crucial como líder da comunicação pública no Brasil.
Na quarta-feira, as mesas de debate focaram em temas como memória, inovações tecnológicas, produção de conteúdo em áudio, comunicação pública e o impacto social do rádio. Um dos pontos mais destacados foi a realidade da Amazônia, onde aproximadamente 80% da população ainda escuta rádio diariamente, mostrando a relevância desse meio de comunicação.
Fundada em 1936, a Rádio Nacional teve um papel fundamental em transformar a radiodifusão em um fenômeno cultural de grande alcance no Brasil, estabelecendo formatos, programas e linguagens que perduram por décadas.
Um dos momentos mais aplaudidos do primeiro dia do simpósio foi a fala da radialista Mara Régia, que enfatizou a importância histórica da Rádio Nacional da Amazônia. Ela destacou a conexão da emissora com populações ribeirinhas, indígenas e moradores de áreas remotas da Região Norte, ressaltando que o rádio continua a ser um instrumento vital de cidadania e pertencimento para muitas pessoas que dependem das ondas sonoras como sua principal fonte de informação.
Durante o debate em celebração aos 90 anos da Rádio Nacional, Mara Régia reforçou a importância histórica da emissora pública. As discussões também abordaram a evolução tecnológica da mídia sonora, desde o rádio AM até os podcasts e plataformas digitais.
O jornalista Heródoto Barbeiro, por sua vez, salientou que o rádio mantém sua relevância justamente por sua habilidade de se adaptar e pela relação direta que constrói com os ouvintes. Ao refletir sobre o futuro da mídia sonora, ele destacou que o rádio tem conseguido atravessar gerações sem nunca perder seu valor.
